“Roraima pede socorro”, afirma o senador Mecias de Jesus

"Roraima pede socorro", afirma o senador Mecias de Jesus

O senador destacou que dos 100 mil venezuelanos que estão em Roraima, apenas 6 mil estão nos abrigos, os demais estão nas ruas

Desde que a crise politico-econômica começou na Venezuela, o Brasil tem sido o destino de milhares de venezuelanos em busca de uma vida melhor. E a porta de entrada tem sido o Estado de Roraima. Os dados oficiais apontam que mais de 100 mil venezuelanos estão em Roraima, mas apenas 6 mil foram acolhidos pela Operação Acolhida, montada pelo governo federal em Boa Vista. Por conta disso, os sistemas públicos ficaram sobrecarregados e as ruas da capital e dos municípios do interior foram tomados por famílias inteiras, vivendo de forma precária.

O senador Mecias de Jesus tem sido uma voz firme na busca de soluções para o problema social causado pela crise migratória da Venezuela e tem cobrado ações mais efetivas do governo federal. Além de solicitar apoio financeiro para suprir a sobrecarga de demandas nos serviços públicos, o republicano defende o fechamento temporário da fronteira e a interiorização dos venezuelanos que já estão no Brasil. Segundo ele, essa medida se faz necessária até que a situação seja normalizada em Roraima.

Confira  entrevista

Arco – O senhor defende o fechamento da fronteira?
Mecias de Jesus –
Sem dúvida, o fechamento da fronteira, não somente a parte legal, onde de fato tem uma fronteira pelos Exércitos Venezuelano e Brasileiro, mas todos os 2 mil quilômetros de fronteira seca que existem. Isso porque mesmo fechando a fronteira legal, eles entram por outras estradas que tem, de forma clandestina. A maioria, aliás, entra clandestinamente, porque quando eles têm obrigação de entrar pela fronteira legalizada, eles têm que se identificar, e a grande maioria não aceitam fornecer os documentos. Eles perdem tempo com a identificação e correm o risco de não terem muito tempo para ficar dentro do estado de Roraima, ou serem submetidos de ficarem esquartelados dentro dos abrigos e não terem para onde ir. Por isso, eles não aceitam entrar legalmente em Roraima.

Arco – Qual é a situação do Estado de Roraima quando o assunto é crise migratória?
Mecias de Jesus – É uma situação drástica porque a crise migratória afetou todos os meios que se podem imaginar no Estado de Roraima. Todas as classes sociais foram impactadas. Afetou a questão de emprego, renda, saúde, educação, segurança pública, tudo. A crise afetou todos os meios sociais do estado de Roraima. As áreas da Saúde e Educação foram os setores mais afetados, colapsou o sistema, devido a sobrecarga de demandas.

Arco – Que medidas são necessárias para resolver os problemas?
Mecias de Jesus – Primeiro, o governo federal teria que suspender a Operação Acolhida temporariamente. Por que suspender? A operação atende cerca de 6 mil venezuelanos, dentro de 13 abrigos, e não consegue mais fazer a interiorização. Do início da operação até hoje, apenas cerca de 15 mil venezuelanos foram interiorizados. Ao contraponto disso, mais de 100 mil pessoas ainda estão em Roraima, nas ruas de Boa Vista ou nos municípios do interior do estado, esperando por interiorização, para outras regiões do país. O correto seria parar a construção de novos abrigos e os venezuelanos que fossem entrando no estado, imediatamente, já fossem sendo transferidos para outros estados do Brasil: Rio Grande do Sul, Paraná, Amazonas, São Paulo, Distrito Federal, enfim, qualquer outro estado do Brasil, e não deixá-los mais ficar no Estado de Roraima porque só aumenta os bolsões de misérias e vai dificultando cada vez mais a vida das pessoas, dos brasileiros e dos venezuelanos que estão chegando sem nenhuma condição de viver com dignidade.

Arco – De que forma o mandato de senador está ajudando o estado a enfrentar os problemas causados pela crise migratória?
Mecias de Jesus –
Bom, de que forma o mandato tem ajudado? Trazendo conhecimento da sociedade brasileira, do governo federal, em audiência com o presidente da República e com os ministros, levando a eles todo os conhecimento de que eles, de fato, não têm, porque muita gente só conhece isso como uma coisa bonita, para ir lá, tirar fotos, na Operação Acolhida, que é um trabalho lindo e maravilhoso para tirar foto. Eu parabenizo o Exercito, sem dúvida, se nós tivéssemos reduzido a um número de 6 mil ou 10 mil venezuelanos. Mas, nós estamos falando de dados que foram nos fornecidos pela Polícia Federal e pelo IBGE de que se cerca de 100 mil venezuelanos estão no Estado de Roraima e que a Operação Acolhida cuida apenas de 6 mil.

Arco – Como está os roraimenses diante dos problemas causados pela chegada dos venezuelanos?
Mecias de Jesus –
A vida dos roraimenses ficou muito difícil depois da chegada dos venezuelanos. No início, e até hoje, claro que os roraimenses recebem bem os venezuelanos e o que a população quer é que seja garantido os serviços de saúde, educação, segurança e tratamento digno para os venezuelanos sem prejudicar os brasileiros. Mas é isso que está acontecendo. Falta segurança, medicamentos, médicos e demais serviços essenciais à população. Para você ter uma ideia, o governo federal cancelou o contrato de mais de 20 médicos do Programa Mais Médicos quando na verdade, nós teríamos que triplicar esse número. A demanda na saúde só aumenta e o governo federal cancela o contrato de médicos para atender nos postos de saúde. Isso é muito ruim.

Arco – O senhor já esteve com alguma das famílias de venezuelanos, conte sobre o que viu?
Mecias de Jesus –
Inúmeras vezes. Eu vou não somente nos abrigos, onde tudo é bonito, a gente ver que tem camas para eles dormirem, tem ventilador, tem um quartinho fechado, uma casinha para cada um deles, isso é o mundo ideal. Eu quero ver é o pessoal da AKNU, que tem dado apoio lá, irem para as ruas, de fato e de direito, quando não tem autoridade nacional e internacional visitando. Só para você ter uma ideia da situação, os venezuelanos usam as ruas como banheiros para fazer as necessidades, à noite, atrás dos prédios e invadem prédios públicos, eles estão nas ruas, batendo nas portas das pessoas pedindo comida. Alias, eu tenho pessoas que são venezuelanos, que eu dei emprego para elas no meu escritório de representação em Boa Vista. 

Arco – O governo estadual não consegue lidar com essa demanda sozinho, de que forma o governo federal pode ajudar?
Mecias de Jesus –
O governo estadual, realmente, não consegue sozinho, não é uma causa só do governo do estado, é uma causa do Brasil. O povo brasileiro precisa entender que essa não é uma causa só do Estado de Roraima. Somos a porta de entrada do Brasil, não é somente para o estado, é para o Brasil. O problema é que o impacto fica todo lá conosco, mas nós estamos precisando de ajuda de todos aqueles que se dizem bons brasileiros, e que as vezes chegam até nos acusar de sentimentos xenofóbicos, nos ajude, vão lá e busquem pessoas em Roraima e levem para outros estados. Nós precisamos que o governo federal aumente os recursos para compra de medicamentos, de equipamentos, de merenda escolar, de contratação de médicos, compra de aparelho de raio-x, ultrassonografia, aumentar a nossa maternidade, os números de leitos nos hospitais, os atendimentos no postos de saúde. O governo federal pode nos ajudar comprando mais merenda escolar, mandando dinheiro para contratar mais professores, para contratar mais transporte escolar, para reformar as escolas do estado, compra de armamento, viaturas, tudo isso. O governo federal não só pode como deve e tem a obrigação de fazer isso e nós estamos cobrando constantemente.

Por Agência Republicana de Comunicação (Arco)
Fotos: Ascom – senador Mecias de Jesus

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