Prefeito pela 4ª vez, Pedro Lorenzi aposta na geração de emprego em Paulo Bento (RS)

Republicano foi eleito prefeito em quatros das cinco eleições realizadas no município, que conta com pouco mais de 2,3 mil habitantes e tem apenas 17 anos de emancipação política

Publicado em 14/08/2017 - 00:00

A entrevista desta semana traz uma história de quatro décadas de serviços efetivos prestados à população. Ao telefone, do outro lado da linha, uma voz grave e bem humorada, com o típico sotaque gaúcho, destaca os feitos da atual gestão de um pequeno município da região Norte do Rio Grande do Sul.

O município de Paulo Bento conta com pouco mais de 2,3 mil habitantes e tem apenas 17 anos de emancipação política. A primeira disputa municipal foi realizada em 2000 e desde então, o republicano Pedro Lorenzi não perdeu uma eleição sequer. Com quatro mandatos de prefeito, sendo duas reeleições, ele se orgulha de ter conseguido eleger, inclusive, o sucessor em 2008.

O mais curioso dessa história é imaginar que ele nunca morou na cidade que governa. Começou a vida na política em Erechim, o município-mãe, onde foi vereador por três mandatos antes de se candidatar a prefeito. É difícil encontrar uma única obra no município que não foi ele quem fez. Praticamente tudo que é público em Paulo Bento passou, em algum momento, pela mãos de Pedro Lorenzi.

Professor estadual aposentado, Pedro Lorenzo tem 61 anos de idade, casado, pai de três filhos e dois netos. No currículo, formação técnica em Agropecuária e superior em Economia, além de uma pós-graduação em Educação Brasileira Contemporânea.

ENTREVISTA

Agência PRB Nacional – Que projetos estão atualmente na mesa do seu gabinete?
Pedro Lorenzi – Veja bem, é preciso dizer que nós prefeitos estamos presos ao custeio da máquina por falta de recursos para colocar as ideias e projetos em prática. Os municípios não têm dinheiro para investimentos, isso é a verdade. Você pega qualquer município desse Brasil e verá que 40% ou 50% vai para a folha de pagamento, 25% na Educação e 15% para Saúde. Veja que já está indo para 90% e o Legislativo leva uma porcentagem entre 3% e 6%. Sobra o quê para projetos? Quase nada. A realidade que vivemos é a seguinte: somente com o orçamento próprio do município não tem como fazer muita coisa. Aí é o que eu sempre digo, o prefeito depende das emendas parlamentares e dos projetos nos ministérios. Por isso, digo que não é possível ter muito projetos com recursos próprios. Se não vai de um jeito, vai de outro. Estamos trabalhando na busca de recursos externos e trazer mais desenvolvimento para o município.

 

Prédio da prefeitura de Paulo Bento, que guarda um pouco da arquitetura portuquesa

Agência PRB Nacional – Qual é o principal objetivo deste mandato?
Pedro Lorenzi – Estou pautando nossa administração no sentido de buscar emendas parlamentares e convênios para alavancar o crescimento e o desenvolvimento do município. Claro que somos um município com apenas 17 anos de emancipação e estamos ligados a Erechim, que tem 100 mil habitantes e, por essa proximidade, temos facilidades de atrair empreendimentos comerciais, industriais e esse é o foco da nossa gestão, que é gerar emprego e renda e, consequentemente, gerar o crescimento do município. É onde nós vamos focar nesses quatros anos de governo.

 

Agência PRB Nacional – Já tem alguma coisa encaminhada para gerar mais emprego?
Pedro Lorenzi – Claro, claro! Estamos nos empenhando muito na geração de emprego por meio de incentivos fiscais às empresas. No ano passado, nós conseguimos trazer dez empreendimentos industriais para Paulo Bento. Claro que para isso, o município deixa de arrecadar mais impostos, mas num município de 2,3 mil habitantes, ter empresas que geram, cada uma, 10 ou 15 empregos, é uma troca justa, tanto que não temos desemprego por conta das empresas instaladas, em especial as que produzem papel higiênico. Somos uma cidade-polo na produção de papel no estado, são três empresas grandes que abastecem o país e a América Latina. O setor papeleiro ainda não sentiu a crise, tanto é que nós não tivemos demissões, pelo contrário, é um setor que está crescendo, se expandindo. Isso gera emprego e somos, na verdade, um importador de mão-de-obra. Temos vários trabalhadores em Erechim e em outros municípios. Então, a gente vive numa situação confortável em relação a emprego, na verdade, falta é mão-de-obra qualificada para ocupar as vagas abertas. Mesmo assim, a gente não se descuida e não paramos de buscar mais empresas porque a população cresce e temos que manter o homem no município, evitando o êxodo. Para construir isso, temos enfrentando tudo a duras penas, mas estamos caminhando bem.

 

Agência PRB Nacional – Prefeito, qual é a receita mensal do município?
Pedro Lorenzi – Gira em torno R$ 12 milhões por ano, ou seja, R$ 1 milhão por mês, o que é muito pouco se comparado com as demandas sociais e os projetos que pretendemos tocar aqui.

 

Agência PRB Nacional – Podemos dizer que se trata de um município mais rural que urbano?
Pedro Lorenzi –  Sem dúvida. Quase 70% da população vive na zona rural. Temos um município relativamente pequeno, com 150 km². A nossa agricultura é toda minifundiária, formada por pequenos agricultores, mas é também bastante diversificada, com produção de soja, milho e, no inverno, trigo. A pecuária é bastante diversificada, principalmente na bacia leiteira. Temos produção de aves, suínos e, assim, o município anda. Para manter tudo funcionando corretamente, utilizamos a receita quase toda para custear a máquina e alguns projetos na agricultura.

 

Agência PRB Nacional –  Em 2016, foram investidos 14% da receita anual do município na agricultura. Que ações têm sido feitas na zona rural?
Pedro Lorenzi – A nossa área rural é relativamente grande se comparada com os demais municípios da região. São mais de 300 km de estradas rurais e cerca de 600 propriedades. Não é pequeno, é um município relativamente grande e que tem muitas questões para serem resolvidas. A renda básica do município, embora tenhamos um parque industrial emergente em relação ao tamanho do município, é formada pela agricultura. A gente desenvolve vários programas para ajudar os homens e mulheres do campo, auxiliamos o produtor dentro da propriedade, ajudamos no manejo da Bacia Leiteira, na assistência técnica para criação dos animais, na melhoria da produtividade das pequenas plantações e na manutenção de todas as estradas em boas condições de uso, além de programas de transporte de sementes, calcários e adubos. Enfim, cuidamos de toda a infraestrutura das comunidades rurais, o que envolve saúde, educação e infraestrutura. Eu ainda penso que 14% não é muito, mas em relação aos demais municípios, é bastante. São ações diferenciadas que a gente faz e auxilia bastante o produtor, ajudamos também na aquisição de sementes para plantações de alimentos e também na formação de pasto para o gado.

 

Agência PRB Nacional – E na área da saúde?
Pedro Lorenzi – Eu digo a você que onde mais nos preocupamos dentro de nossa administração é justamente a Saúde. Tanto pelo nosso compromisso quanto pelo dever constitucional de investir na área pelo menos 15% da receita corrente líquida. Por exemplo, nesses primeiros sete meses, o mês que a gente menos aplicou contou com 22% da receita, tanto que somos referência na região norte do estado, no Alto Uruguai, como um município que tem um dos melhores sistemas de saúde. O nosso carro-chefe de governo é a saúde, depois vem educação e em seguida a agricultura.

 

Agência PRB Nacional – Que serviços de saúde são oferecidos à população?
Pedro Lorenzi – Nós fornecemos o transporte, vamos buscar o agricultor em casa e levar para o centro de saúde mais próximo, para outros municípios e até para a capital Porto Alegre, para fazer exames, consultas e tratamentos de saúde. Veja bem, a nossa obrigação é de fornecer o básico de medicamentos, que contém 100 itens, no entanto, nossa farmácia oferece em torno de 350 tipos de remédios. Além disso, temos convênios para qualquer tipo de exames.

 

Agência PRB Nacional – Um dado que me chamou a atenção é que, de acordo com informações do IBGE, mais de 90% da população é alfabetizada. Fale-nos sobre isso?  
Pedro Lorenzi – Na verdade, nós temos o ensino todo municipalizado para crianças e adolescentes. Fora isso, contamos com programas de alfabetização de jovens e adultos, o que faz com que o nosso índice de alfabetização chegue perto dos 100%. Outra coisa que ajuda bastante é essa obrigatoriedade de investir 25% da receita na Educação. Dessa forma é possível desenvolver vários projetos e ações que contribuem não apenas na alfabetização mas também na qualificação do ensino e da mão-de-obra.

 

Agência PRB Nacional – Das cincos eleições municipais, o senhor venceu quatro e ainda fez o sucessor em 2008. A que atribui esse carinho da população?
Pedro Lorenzi – Veja bem, acredito que é o meu comprometimento com o município. Só para ter uma ideia eu nem moro e nunca morei em Paulo Bento, resido em Erechim. Penso que seja a identificação que tenho com o povo. Para administrar bem, o gestor precisa ter muita transparência e uma dose muito grande de humildade. Como você sabe, o povo do interior é simples e humilde, quando você se coloca no lugar deles, passa a trabalhar de forma única e comprometida. Também é importante ser correto com a coisa pública, isso o povo tem notado, tem sido assim que nós trabalhamos, com muita honestidade, humildade e transparência, a coisa anda. Essa identificação que nós temos com a população tem dado certo durante esses 16 anos.

 

Agência PRB Nacional – Qual foi o contexto da sua primeira candidatura a prefeito em Paulo Bento?
Pedro Lorenzi – Eu era vereador do município de Erechim, mas como estava como presidente do processo de emancipação de Paulo Bento, a candidatura veio naturalmente. Claro que tive de optar entre continuar como vereador ou lutar pela prefeitura do novo município. E aí foi questão de desafio e tentar ver como era o lado Executivo da coisa pública. Antes de ser prefeito, exerci três legislaturas intercaladas na Câmara Municipal de Erechim (1977-1982 / 1983-1988 / 1997 a 2000).

 

Agência PRB Nacional – Você se sente uma pessoa realizada na política?
Pedro Lorenzi – Eu, na verdade, sempre esperei mais de mim, mas ainda continuo na luta, ainda não joguei a toalha (risos). Acredito que tenho muito a fazer pelo povo, não posso mais ser candidato aqui no meu município, mas tem Erechim, onde eu moro e tenho uma história longa. Vamos ver o que vai acontecer daqui a três anos. O amanhã pertence a Deus, a política é muito dinâmica, os planos de hoje não são os mesmos de amanhã, mas eu, claro, como vereador de Erechim e prefeito por quatro mandatos aqui em Paulo Bento, me sinto realizado, feliz pelo caminho que construí. Pena que faltam recursos para os projetos. Capacidade a gente tem, mas paramos sempre na falta de recursos. Cada vez mais, os municípios são penalizados, a União e o estado jogam encargos para o município, mas não vem a contrapartida correspondente do lado financeiro. São sempre mais responsabilidades e menos recursos. A gente vai ficando cada vez mais limitados e daqui a pouco, para fazer alguma coisa, ficaremos totalmente dependentes de uma emenda parlamentar, projeto de ministério e a situação vai ficando mais difícil. Administrar um município é sempre uma batalha e como todo desafio deixa a pessoa realizada, eu me sinto feliz ao pensar no que fiz nesses 40 anos de vida pública.

 

Agência PRB Nacional – Podemos dizer que os municípios acabam ficando presos aos governos federal e estadual?
Pedro Lorenzi – Sem dúvida. O Rio Grande do Sul está falido, quebrado e sem condição de repassar nenhum recurso para os municípios. Dessa forma, a gente sabe que a dificuldade é muito grande, mas aí que entra aquela palavra fundamental que é a gestão eficiente. Tem de saber fazer gestão para poder realizar alguma coisa no município.

 

Agência PRB Nacional – Como tem sido sua relação com o PRB?
Pedro Lorenzi – Os deputados Carlos Gomes (federal) e Sergio Peres (estadual) são amigos de longa data. Eu fui prefeito pelo PRB no mandato de 2005 a 2008, sai, e em 2013 voltei para o PRB pela amizade que a gente tem com a família republicana. Os deputados têm ajudado bastante esse nosso mandato, eles são muito comprometidos com os municípios e, principalmente, com os pequenos. Ser republicano me faz bem por constatar que é um partido comprometido com a melhoria da vida do povo brasileiro.

 

Agência PRB Nacional – Qual é o segredo para uma gestão eficiente?
Pedro Lorenzi – Acredito que o bom prefeito deve basear a administração sob os princípios da honestidade, transparência e cada vez mais procurar fazer gestão de verdade, ou seja, ter seriedade com a coisa pública. É o único jeito que vejo para tirar os municípios, os estados e o país dessa situação ruim.

 

Agência PRB Nacional – O jogo de interesses em que cada um quer mais para o seu lado, não atrapalha esse propósito?
Pedro Lorenzi – Atrapalha sim, tem tanta coisa que eu vejo errada, mas essa é uma questão que demandaria tempo para falar sobre esse assunto. Mas, enfim, atrapalha bastante. Eu ainda sou da época da Arena e do MDB, lá na década de 1960, quando tínhamos dois partidos e a coisa funcionava bem melhor. Hoje, para você ter uma ideia, com quase 40 partidos no país, vejo a situação muito complicada. Aqui em Paulo Bento, por exemplo, que conta com pouco mais de 2,3 mil habitantes, existem 10 partidos políticos. Veja: para você ganhar uma eleição é preciso se aliar com meia dúzia desses partidos. Ganhar tu ganha, depois vem o mais difícil que é administrar, acomodar todo mundo. Tudo isso é preciso ser feito com responsabilidade para não fazer errado. Penso que enquanto o Brasil não resolver esse problema dos multipartidos, a coisa não vai andar. Como eu disse, é uma questão que não tenho competência para resolver, isso eu deixo para nosso deputado Carlos Gomes (risos).

Por Agência PRB Nacional
Fotos: Ascom – Prefeitura de Paulo Bento

 

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