Autismo: as dificuldades dos cuidadores no distanciamento social

Autismo: as dificuldades dos cuidadores no distanciamento social

Artigo escrito por Maria Rosas, deputada federal pelo Republicanos São Paulo

Publicado em 16/06/2020 - 14:07

Os pais de crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tiveram suas rotinas transformadas por conta do isolamento social, em razão do coronavírus. Para a maioria, não tem sido fácil e, a maior dificuldade é encontrar alternativas para complementar a rotina das crianças que tinham a escola e as terapias presenciais e fundamentais para o desenvolvimento intelectual e social no dia a dia.

Em casa e sem tantas atividades, as crianças naturalmente ficam mais agitadas e, no caso dos autistas, podem se tornar até agressivas. Para estas crianças, a mudança repentina nos hábitos não é positiva e muitos são os relatos de aflição dos pais.

Embora alguns Estados já estejam flexibilizando serviços e comércios, alguns ainda se mantém em quarentena.  E o apoio do psicólogo, do psiquiatra e do fonoaudiólogo, tão importante, ainda está interrompido. O tratamento do autista precisa ser contínuo para manter o risco de acentuação dos sintomas o mais baixo possível.

Aos pais, além da angústia por verem seus filhos regredirem, sem o tratamento adequado, também ficam as explicações constrangedoras aos vizinhos que, por vezes, chegam a apontar os casos como abusos de violência às crianças.

Mas diante desse cenário, como fazer a manutenção do tratamento da criança? O acompanhamento médico é insubstituível, contudo, especialistas afirmam que a família pode se adaptar realizando atividades igualmente educativas e que colaboram para o desenvolvimento da criança, como a musicoterapia. Os pais podem usar a música e os sons para se comunicar com a criança. Momentos de leitura, atividade motora sensorial e intensa, como brincar de pula-pula. Atividades táteis com geleias, massinhas, creme de barbear e até domésticas, como fazer um bolo. E então, é criar uma nova rotina. Não existe fórmula, pois cada criança tem suas necessidades individuais. E à vizinhança, dar apoio a esses pais é um gesto de amor.

No parlamento, a Bancada do Republicanos da Câmara defende os direitos da Pessoa com Deficiência e estamos trabalhando para que nenhum dos direitos da pessoa com deficiência sejam diminuídos, como a emenda 29 ao PL 873/2020, de minha iniciativa. Com a emenda, minimizamos o impacto da pandemia para essa parcela da população que merece a devida atenção e cuidado por parte do Estado nesse momento tão difícil. Deste modo, as pessoas com deficiência não perderão nenhum benefício.

E aos pais reforço: vocês não estão sozinhos. É importante lembrar que Defensorias Públicas de todo o país continuam trabalhando de forma remota para garantir os seus direitos nas áreas da saúde, educação, benefícios emergenciais, entre tantas outras. Basta entrar no site e lá tem todas as informações de contatos.

Hoje, o Brasil tem 45 milhões de pessoas com deficiência, de acordo com dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas pessoas estão mais vulneráveis ao coronavírus e uma parte delas também está no grupo de risco. Estamos juntos pela causa do autista!

*Maria Rosas é deputada federal pelo Republicanos São Paulo

Foto 1: Tchélio Figueiredo (Fotos Públicas)
Foto 2: Ascom – deputada Maria Rosas

Reportar Erro