Vitor Paulo deixa a presidência nacional do PRB após seis anos

Carta de despedida foi lida no plenário da Câmara

Publicado em 06/05/2011 - 00:00

Vitor Paulo deixa a presidência nacional do PRB após seis anos
Carta de despedida foi lida no plenário da Câmara

Brasília (DF) – O deputado federal Vitor Paulo (PRB-RJ) renunciou nesta quarta-feira (4) à presidência nacional do Partido Republicano Brasileiro (PRB). A carta de despedida foi lida no plenário da Câmara dos Deputados, nesta quinta (5).

Na carta, Vitor Paulo relembrou as dificuldades do início da fundação do PRB, a escassez de recursos e as andanças pelos estados para colher assinaturas, lembrou da chegada ao PRB do então vice-presidente da República, José Alencar, e de sua eleição em 2006.

Sobre a presidência nacional de um partido, Vitor Paulo disse que requer tempo e constantes viagens aos estados, o que tem ficado cada vez mais difícil após o mandato parlamentar. A sua decisão é baseada no acúmulo de funções, entre elas a presidência do PRB-RJ, a liderança da bancada do PRB na Câmara dos Deputados, a presidência da Comissão de Legislação Participativa, e a vice-presidência da Comissão de Relações Exteriores.

“Por mais que empenhasse todos os meus esforços, toda minha capacidade e devoção, não me seria possível cumprir ao mesmo tempo tantas missões”, diz trecho da carta em que Vitor Paulo confidenciou ainda ter sido muito difícil tomar essa decisão. “Só eu sei o quanto relutei, o quanto remoí, o quanto resignei e renunciei para jamais negar meu serviço sincero e desprendido ao nosso querido PRB, prioridade absoluta na minha vida pública”.

Após a leitura da carta, Vitor Paulo recebeu inúmeras manifestações no plenário. O deputado Cleber Verde (PRB-MA) disse que se filiou ao PRB a convite de Vitor Paulo, que conduziu o partido com muita dedicação, deixando uma herança reconhecida por todos os correligionários.

“De todos os partidos pelos quais passei, não vi nenhum presidente conduzir com tanta democracia e habilidade política o seu fortalecimento. Quando entrei no PRB, ele só tinha um parlamentar. Hoje, o deputado Vitor Paulo entrega a presidência do partido de forma despojada, deixando 12 deputados federais e 1 senador”, destacou Cleber Verde, que também é presidente do PRB no Maranhão.

Para o deputado sergipano Heleno Silva, presidente do PRB-SE, o trabalho de Vitor Paulo frente à presidência do PRB, possibilitou o crescimento e fortalecimento da agremiação em seu estado.
“Sou de Sergipe, menor estado do Brasil. E em meu estado, ganhar uma eleição para deputado federal é muito difícil. Sob o seu comando, tivemos vitória, e o partido cresceu muito. Atitudes grandes só se esperam de homens grandes”, disse Heleno Silva.

O líder do Bloco Parlamentar PR/PRB/PTdoB/PRTB/PRP/PHS/PTC/PSL, deputado Lincoln Portela (PR/MG), considerou a saída de Vitor Paulo um fortalecimento da democracia. “Ressalto a maneira digna como Vossa Excelência se ausenta da presidência do partido, dando assim oportunidade para sua oxigenação. É assim que se faz a democracia. Democracia é isso, é a participação de todos. E isso Vossa Excelência conseguiu fazer muito bem”, anunciou Lincoln Portela. A executiva nacional deve se reunir na próxima segunda-feira (9) para escolher o novo presidente.

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Vitor Paulo Araujo dos Santos foi um dos fundadores do PRB. Foi um dos articuladores para a filiação do ex-vice-presidente da República José Alencar (1931-2011), que concorreu como candidato na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

Hoje o PRB conta com 12 deputados federais, 21 deputados estaduais, 54 prefeitos e 780 vereadores. Mais de 220 mil filiados.

Texto: Helen Assumpção – Comunicação Nacional do PRB

Leia a carta na íntegra

Carta de Despedida

Senhores membros da Direção Nacional do Partido Republicano Brasileiro; senhores deputados e senador da nossa pequena mas combativa, digna e unida bancada no Congresso Nacional; senhores prefeitos, deputados estaduais e vereadores, fiéis depositários das aspirações justas e legítimas do nosso povo; senhores presidentes de nossa agremiação nos municípios e nos estados;
senhores militantes que espalhados na vastidão do nosso território, carregam com altivez a bandeira do nosso ideal e as esperanças da nossa causa.

Meus companheiros,

Quis Deus, na sua insondável bondade e infinita misericórdia, conferir a mim, seu mais obscuro e anônimo servo, o dever, a responsabilidade e, sobretudo, a honra de empregar todas as minhas forças para dar à nação brasileira um partido político à altura da sua tradição de heroísmo e amor à democracia, aos seus valores sagrados e imortais de respeito ao Direito, do culto da liberdade e da generosidade cristã e sem se afastar um milímetro do compromisso inegociável dos princípios republicanos que fazem com que nossos militantes, doutrinados, inspirados e motivados no nosso exemplo, tenham olhos para ver pelo Brasil, ouvidos para ouvir pelo Brasil e coragem, se preciso for, para morrer pelo Brasil.

A fundação de um partido não é simples, é uma batalha. Foram dias, meses, anos de um labor infindável. Dificuldades administrativas e financeiras para enfrentar um cipoal legislativo confuso, por vezes anacrônico e passível de interpretações diversas. Com parcos meios e mínimos recursos humanos, foi necessário multiplicar nossas forças e apelar para fibra daqueles que, cônscios do momento histórico que vivíamos, se desdobraram num esforço monumental para percorrer ruas e bairros, cidades e estados, percorrendo numa cruzada cívica memorável, todas as regiões do País, para abordar, explicar, persuadir ou dissuadir e, finalmente, recolher a assinatura daqueles que mesmo sem nos conhecer pessoalmente se contagiavam com o entusiasmo do nosso sincero amor à Pátria, refletido no olhar de cada um dos nossos heróicos e incansáveis voluntários. Não me entibiei diante dos colossais desafios, não hesitei ao enfrentar as mais duras adversidades
e nem permiti que qualquer ambição pessoal e menor pudesse macular, na gênese, a agremiação política que nascia para cumprir seu destino de se engrandecer servindo à Pátria. Quando se avultavam as dificuldades de toda ordem, não me deixei abater, pelo contrário, voltava à luta com mais decisão e coragem.

Fundado nosso partido, juntou-se a nós o então Vice-Presidente da República José Alencar Gomes da Silva em inesquecível solenidade na capital mineira, e pude conhecê-lo na integridade do seu caráter no seu patriotismo inexpugnável no seu zelo indormido pela sorte do nosso povo na sua integral identificação com o Brasil. Ao seu lado participamos da batalha política do presidente Lula no soerguimento do País e na emancipação econômica, social e política do povo brasileiro. Não têm o direito de esperar a confiabilidade do povo os que se associam aos que renegam a sua fé, a sua Pátria e o seu amor à Democracia. Não aceitamos, por fidelidade ao Brasil, a conivência ou a cumplicidade com essas forças. Fomos e seremos sempre um instrumento para servi-lo, aprimorá-lo, defendê-lo, na inabalável convicção de vê-lo, em breve, respeitado, festejado e prestigiado como uma das maiores nações do mundo.

Esse é o nosso ideal e para sua concretização convocamos todos os brasileiros e brasileiras, qualquer que fosse a sua condição social, para dar ao Brasil o esforço de sua colaboração patriótica.
Queremos as igrejas livres de ameaça e opressão. A imprensa, os sindicatos e as universidades emancipados de censuras, tutelas e condicionamentos de qualquer tipo. O regime concentrador da renda, que privilegia pequenos grupos sociais, nós o condenamos em nome da justiça social. A participação de todos nos benefícios da civilização e nos frutos do seu trabalho é um imperativo da convivência digna entre todos os brasileiros.

O fortalecimento da federação é meta prioritária no processo de sustentação do pacto republicano do País, com a restauração financeira dos Estados e Municípios, libertando-os da vexatória condição a que estão condenados. Não concordamos com o modelo econômico, que concede todos os favores e concessões às forças do capital e coloca em segundo plano as atividades da produção e do trabalho. Denunciamos o poderio, sem controle, das instituições financeiras e lutamos por uma política de renovação rural, que assistisse o homem do campo, dando-lhe fé e esperança no futuro, erradicando de nossa estrutura fundiária o latifúndio improdutivo e o minifúndio ineficaz e assegurando aos homens e mulheres que trabalham a terra, dignidade, propriedade, segurança econômica e liberdade. Que não haja estudantes sem escolas, ginásios e universidades. Abandonados, sem abrigo e educação, doentes sem hospitais e idosos sem proteção. Assim foi nossa luta nos anos gloriosos do governo Lula e Alencar de quem estivemos sempre ao lado até os últimos momentos de sua vida.

Peço desculpas aos nobres companheiros por extravasar minha emoção nessa retrospectiva de gratidão a Deus e a cada um dos senhores que estiveram ao meu lado e nunca me negaram seus conselhos, apoio e sobretudo e principalmente, suas orações. É que já não posso mais, premido pelos compromissos que o bravo e generoso povo da minha terra fluminense depositou sobre os meus ombros, dando-me a honra de compor a representação popular do Rio de Janeiro no Congresso Nacional, onde sem merecer e sem jamais ter ousado sequer sonhar, fui também conduzido por decisão unânime da bancada do nosso partido a servir como líder. E ainda acumulando a presidência regional do PRB-RJ e a presidência de uma das importantes comissões temáticas da Câmara dos Deputados, meus companheiros, por mais que empenhasse todos os meus esforços, toda minha capacidade e devoção, não me seria possível cumprir ao mesmo tempo tantas missões. 

Só eu sei o quanto relutei, o quanto remoí, o quanto resignei e renunciei para jamais negar meu serviço sincero e desprendido ao nosso querido PRB, prioridade absoluta na minha vida pública. São por essas contingências que enumerei acima que vejo-me assim obrigado a comparecer diante dos senhores, constrangido pelo respeito, gratidão, apreço e admiração que hoje e para sempre devoto a todos, apresentar e pedir humildemente que aceitem meu pedido de renúncia, em caráter irrevogável, ao cargo de Presidente Nacional do Partido Republicano Brasileiro e como último ato, caso as senhoras e os senhores assim entendam correto, convocar a Assembleia Nacional do partido para deliberar de acordo com nosso estatuto o glorioso futuro que deslumbramos no horizonte.

Continuaremos juntos na força dos nossos ideais e com o ânimo dos nossos princípios. Hoje, ao lado da presidenta que ajudamos a eleger, nos recusamos  a admitir  a institucionalização da recessão como o rumo indicado para a superação da crise de repique inflacionário. Uma Nação com cento e noventa milhões de habitantes, com as peculiaridades geográficas e econômicas como a nossa só vencerá os seus antagonismos lutando, trabalhando e crescendo.

A recessão provocada pela alta dos juros, já os mais altos do mundo, terminará por destruir o nosso sistema produtivo. Explodirá com o nosso parque industrial. Enfraquecerá o nosso mercado interno. Levará o desanimo às atividades agropecuárias. Ver-nos-emos novamente transformados, para gáudio das grandes nações industrializadas num povo banido dos mercados internacionais, para colocação dos seus produtos industrializados, tendo que nos conformar em ser, como dantes, uma Nação fornecedora de matérias-primas, para alimentar os complexos industriais das grandes potências capitalistas.

A recessão nunca! Ela será túnica de aço sobre a Nação para empobrecê-la, impedir a sua afirmação histórica, colonizar o nosso povo e condená-lo a viver no subdesenvolvimento e na miséria.
Somos e sempre seremos  pelo Brasil e pelos brasileiros. Somos o PRB altivo e forte na construção do Brasil dos nossos sonhos!

Deus abençoe a todos!

Vitor Paulo Araújo dos Santos
Presidente Nacional do PRB

Brasília, 4 de maio de 2011.

 

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