Dia da Consciência Negra: Abdala enaltece legado de Zumbi dos Palmares

Dia da Consciência Negra: Abdala enaltece legado de Zumbi dos Palmares

Solenidade transcorrida no Teatro do Engenho Central também entregou a Medalha de Mérito Zumbi dos Palmares

Publicado em 22/11/2019 - 00:00

Dia da Consciência Negra: Abdala enaltece legado de Zumbi dos Palmares
Solenidade transcorrida no Teatro do Engenho Central também entregou a Medalha de Mérito Zumbi dos Palmares

Piracicaba (SP) – A Câmara dos Vereadores de Piracicaba celebrou, na manhã desta quarta-feira (20), nas dependências do Engenho Central, teatro Erotides de Campos, a solenidade especial que marca na cidade a reunião solene pelo Dia Nacional da Consciência Negra, conforme iniciativa de Marcos Abdala (Republicanos), em consonância aos trabalhos edificados pelo ex-vereador João Manoel dos Santos (PTB), na simbologia da data, em reverência ao legado histórico e de resistência por liberdade, em ideais referendados por Zumbi dos Palmares, em 1695.

A solenidade contemplou 10 cidadãos, que receberam quadros alusivos à Semana da Consciência Negra. O vereador Marcos Abdala também concedeu a Medalha de Mérito Zumbi dos Palmares, contemplando Maria Ivete de Araújo, a Zeti e o jornalista Miromar Aparecido Rosa, que foi representado pela secretária Rosângela Camolese (SemacTur).

O vice-presidente da Câmara, Pedro Kawai (PSDB) abriu a solenidade, seguido pelo autor do evento, Marcos Abdala, que coordenou os trabalhos da mesa diretiva. Abdala também fez a leitura bíblica, evocando o livro de Amós, capítulo 7, versículos 7 e 8. Também na abertura do evento, sob coordenação do cerimonialista Tony Costa, após a execução do Hino Nacional foi exibido o Hino da Negritude, com letra de Eduardo de Oliveira.

A formação da mesa de honra também foi integrada pelo prefeito municipal de Piracicaba, Barjas Negri (PSDB); Rosângela Camolese, titular da SemacTur (Secretaria Municipal de Ação Cultural e Turismo); presidente do Conepir (Conselho Municipal da Comunidade Negra de Piracicaba), Adney Araujo; presidente da Irmandade de São Benedito de Piracicaba, José Mariano; os vereadores José Aparecido Longatto (PSDB) e Paulo Campos (PSD).

A gerente do Banco Santander, Daniela Baltiere Pardini Delício também compôs a formação da mesa, ao lado dos 12 contemplados na solenidade. Além do presidente do Centro de Documentação Cultura e Política Negra, Agnaldo Benedito de Oliveira.

Também compareceram à solenidade: Sérgio Furtuoso, em representação ao Sindicato dos Bancários; Camilo Barioli, da Semutri (Secretaria Municipal de Transportes Internos); Dona Olga de Andrade Raphael (nossa Griô), a titular da Semads (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Piracicaba), Eliete Nunes; Sérgio Luiz, do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba; Ronaldo Almeida, assessor da deputada estadual Profª Bebel (PT); Valdiza Caprânio, presidente do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba) e, o tenente André Giuliano, do 16º Batalhão Grupamento do Corpo de Bombeiros de Piracicaba.

Na abertura da solenidade foi apresentado um vídeo sobre os 12 homenageados, que na sequência foram agraciados em condecorações, sendo contemplados pelas autoridades e ainda recebendo láureas do banco Santander, representado pela gerente Daniela Baltieri Pardini Delício, seguido por recebimento de mimo, da Ótica CS.

Foram homenageados, recebendo o quadro alusivo à Semana da Consciência Negra: Alberto Aparecido Bispo, Cristiele Araújo Teixeira dos Santos, Denise Camargo Rocha, Juliana Martins de Oliveira, Lia Teodoro Martins, Marcus Vinicius Mendes da Silveira, Maria Lucinei Xavier, Padre Alcy Mauricio da Silva Júnior, o Reverendo Oswaldo Elias de Almeida e Walter Sampaio Bueno Ferreira Júnior (Juca).

E, na sequência da solenidade, foi entregue a Medalha de Mérito “Zumbi dos Palmares”, onde a primeira contemplada foi Maria Ivete de Araújo (Zeti), nascida em São Paulo em 1958, filha de metalúrgico piracicabano, Benedito Araújo e a dona de casa, Leonor Oliveira Araújo, sendo mãe de Douglas de Araújo Marcolino. Assistente Social formada pela Faculdade de Serviço Social de Piracicaba em 1985 e funcionária pública municipal há 39 anos, começou sua militância sobre inclusão racial na implantação do Movimento Negro de Piracicaba, no início da década de 80, quando iniciou sua carreira no serviço público municipal, na extinta coordenadoria de Ação Cultural, hoje SemacTur (Secretaria Municipal de Ação Cultural e Turismo), como auxiliar administrativo, no salão Internacional de Humor de Piracicaba, no qual, gradativamente, passou à direção do Salão, sendo que a partir de 2017 assumiu a chefia do Programa Movimentação Cultural, cargo que ocupa até a presente data.

O próximo e último a receber a Medalha de Mérito Zumbi dos Palmares foi o jornalista Miromar Rosa, que por motivos de força maior não pode comparecer ao evento, sendo representado pela secretária da SemacTur, Rosângela Camolese. Miromar é formado pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), desde 1985, tendo trabalhado nos principais jornais da cidade, a exemplo de O Diário, Jornal de Piracicaba e a Tribuna Piracicabana. Foi assessor de imprensa para os sindicatos dos Bancários, Metalúrgicos, Saúde e Papeleiros.

Saudações

O vereador José Longatto iniciou o ciclo de saudações, rogando a Deus e referendando o nome de Barjas Negri, em nome de todos e da primeira dama, Sandra Negri, em nome das mulheres. “Quem sou eu. De onde vim. O que faço aqui e para onde vou?”, foram indagações levantadas pelo vereador José Longatto, para ressaltar que estamos num país construído pela raça negra. Disse que o Brasil é de todos, principalmente da classe trabalhadora, enfatizando que o sangue vermelho é universal, para todos os seres humanos, onde agrega a todos, perante a justiça divina. Também falou do desafio do Brasil em se tornar potência mundial, além de enaltecer o papel gestor de Barjas Negri, onde se sobrepõe a educação. E, encerrou com recomendações aos pais, para ficarem de olho nos filhos, devido à influência do celular. Longatto lembrou de situação verificada na Coréia do Sul, que tem casa de recuperação para jovens viciados em telefone celular. “Que o Deus derrame suas bênçãos sobre todos, principalmente pelos que muito fizeram pelo Brasil. Viva a Consciência Negra!”, disse.

O presidente do Conepir, Adney Araújo saudou a todos pedindo benção aos mais velhos, e aos seus iguais, para destacar a condição de igualdade, em alusão à Zumbi, que falava do lugar diferenciado. Citou fato lamentável em Brasília, de deputado que rasgou um quadro que “falava a verdade”, que associa polícia ao genocídio negro. “Temos a consciência de cada dia, sendo que no dia 20 fazemos um balanço geral”, disse Adney, que também agradeceu de público o prefeito Barjas Negri e a secretária Camolese, e falou de sentimentos da comunidade negra, que passam pela música e pela dança e arte. Além de pontuar que podem calar nossas bocas, mas jamais os nossos tambores.

Na sequência da solenidade, Agnaldo Oliveira, o Guina fez uma breve saudação, cumprimentando o primo, pela homenagem, com destaque ao prefeito Barjas e Camolese e, falou da satisfação em se dirigir a todos, na reflexão pelo significado do dia. Também falou da luta do povo negro, que não basta matar um leão por dia. E, do apoio da família, que acreditou em seus sonhos. Referendou duas pessoas — o vereador José Longatto e o ex-vereador e sindicalista Antonio Fernandes Paiva — pelo apoio em sua carreira vitoriosa e sofrida, após 10 anos de luta para concluir o curso de Direito. Além de destacar a figura de Dr. Rui, em acolhida na Unimep. Guina também citou um documentário, mostrando que dos 12 milhões de africanos livres que foram capturados na África, dois milhões foram devorados por tubarões na travessia de mares e oceanos. Lembrou que somos 54% dos brasileiros. E desafiou a todos, em reconhecer e constatar que tem sangue negro na família.

A secretária Rosângela Camolese destacou o teatro Erotides de Campos no acolhimento a todos. E, discorreu sobre a importância da data, referendada por Guina e Adney, em ações afirmativas. Também lembrou que em outros países há problemas de racismo, num problema cultural, que pode ser mudado por ações educativas. “Contém conosco para que o preconceito acabe e todos possamos fazer parte de uma mesma família”, disse. O prefeito Barjas Negri saudou a mesa diretiva além de cumprimentar a todos os homenageados e felicitou a Câmara pela solenidade no Engenho. Destacou o avanço do Brasil, enfatizando a necessidade de corrigir as desigualdades, em demandas que afligem a todos. Além de ressaltar a importância do dia, em sinal de alerta. Também falou de sua trajetória familiar, na defesa por igualdade. Citou urbanização de favelas, em lugar que tem gente pobre, negros, onde se faz presença a necessidade do poder público. Também falou de a política universal em função da maioria ser parda e negra, o que justifica ações afirmativas no Brasil, em políticas públicas universais, que impactam no saneamento, em cidade referencial como Piracicaba, com ênfase na educação, no ensino infantil, onde no Brasil apenas um terço das crianças estão nas escolas, ao passo que Piracicaba já tem mais de 60% de crianças inseridas. Também lamentou a atitude de deputado contra a democracia. E, reiterou que é pelo voto popular que o trabalho deva ser pautado. E reiterou a cobrança ao poder público. Demonstrou apoio, apreço e solidariedade pela inclusão do pobre, do negro, deficiente e do homoxessual. Além de referendar a Universidade do Recôncavo Baiano, na formatura de 20 médicos, que vão atuar em áreas carentes.

O autor da solenidade, Marcos Abdala saudou a formação da mesa diretiva, na pessoa de Barjas e Camolese. Também agradeceu a Pedro Kawai, em nome da Câmara. E, referendou as falas anteriores, em homenagens que não podem ficar só no Engenho e sim na busca por igualdade, além de enaltecer referenciais negros em Piracicaba, a exemplo do monumento ao Dr. Preto, no Engenho e a Ponte Irmãos Rebouças, primeira ponte de concreto armado no Brasil. Abdala também considerou o legado da Família Soledade, em nomeação e doação de terras e, da criação e difusão do jargão “Pamonhas de Piracicaba”, além de citar Benedito Antonio Ferreira, da região do bairro Monte Branco, onde devido à sua dedicação, com apoio familiar salvava a colheita de outras famílias, dado ao seu desprendimento em servir ao próximo e não exigindo nada em troca. “Não cobrava, em atitude de benemerência, pelo amor no fazer”, disse Abdala, que também citou a presença de José Mariano, 84 anos e, que também já foi merecedor da medalha Zumbi dos Palmares, pela luta que faz na cidade, na defesa do povo negro. “Um privilégio”, disse, além de citar Dona Olga Raphael, como uma das pessoas exponenciais de Piracicaba, na luta do povo negro.

Abdala encerrou suas considerações convidando a todos, para o dia 29, na Câmara, para acompanhar o ato solene na entrega de título à Vânia Soares, secretária de Estado, que declarou publicamente que Piracicaba é uma das melhores cidades na defesa da igualdade racial.

O vice-presidente da Câmara, Pedro Kawai saudou a todos e falou da importância da data. Também falou do ensinamento traçado pela história da comunidade negra. Além de enfatizar o legado do músico Erotides de Campos, que denomina o Teatro do Engenho e, que era negro.

Para fazer uso da palavra em nome dos homenageados, o Reverendo Oswaldo Elias de Almeida, da Igreja Metodista, saudou a todos, com foco no significado das homenagens, a exemplo de datas referenciais, como o dia do trabalho, da mulher e o Dia da Consciência Negra, que representa o mais famoso reduto de resistência negra no Brasil, que remete à origem da palavra, Quimbanda, onde o Brasil foi o maior reduto de escravos. Oswaldo também discorreu sobre a cultura, da exploração, que influenciou o Brasil. Também falou do que é o racismo, do preconceito sem qualquer conhecimento, sendo que na discriminação a pessoa é separada. Também falou do Código Penal Brasileiro, além de leis sobre o racismo, e pena de um a três anos de reclusão, em crime inafiançável. “A consciência não tem cor, mas o racismo sim, sendo o ato de racismo um pecado contra Deus, um mal social e contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos”, disse. O pastor ainda falou da história que se atribui à princesa Isabel, que teria falado de duas notícias, de que todos os negros estavam livres e por outro lado desempregados. Oswaldo não poupou críticas ao processo de catequização, principalmente pela igreja católica, que também influenciou pregadores europeus e americanos, a colocar o negro na inferioridade. Finalizou considerando Deus e o pensamento nobre de Nelson Mandela, que também era metodista, com a mensagem ao mundo, no entender de que ninguém nasce odiando ou amando o outro, sendo que esse processo é por aprendizado e, se podemos aprender a odiar também podemos aprender a amar ao próximo.

O vereador José Marcos Abdala, no encerramento da solenidade registrou o aniversário de Dona Rosa Araújo, mãe de Adney e Adilson, sendo saudada ao som do parabéns à você, acompanhado por palmas da plateia, de mais de 100 pessoas, que prestigiaram o evento, previsto das 10 às 12 horas, sendo que antes, a partir das 9 horas acompanharam a realização de uma Missa Afro, da Pastoral Afro, da Diocese Dom Bosco, sob a direção do Padre Alcy Mauricio da Silva Júnior, que também foi um dos contemplados na solenidade.

Texto e fotos: Ascom – vereador Marcos Abdala
Edição: Agência Republicana de Comunicação (Arco)

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