Crivella anuncia operação de ordenamento do BRT

Serão coibidos calotes e o comércio ilegal tanto dentro quanto no entorno da estação, além de ações de acolhimento de moradores de rua

Publicado em 25/02/2019 - 00:00

Crivella anuncia operação de ordenamento do BRT
Serão coibidos calotes e o comércio ilegal tanto dentro quanto no entorno da estação, além de ações de acolhimento de moradores de rua

Rio de Janeiro (RJ) – A prefeitura, através da intervenção no BRT, decretada pelo prefeito Marcelo Crivella (PRB) em 29 de janeiro, anunciou nesta segunda-feira (25) duas ações estratégicas no processo para solucionar os problemas do sistema. A partir desta segunda, uma força-tarefa realizará, em 13 estações do BRT Transoeste, a primeira fase da “Operação de Ordenamento no BRT”, que vai combater ações irregulares nos ônibus articulados e nas estações. Serão coibidos calotes e o comércio ilegal tanto dentro quanto no entorno da estação, além de ações de acolhimento de moradores de rua.

“Na intervenção do BRT chegou o momento das ações importantes. Primeiro, o recapeamento da calha. Tem vários trechos que estão diminuindo a velocidade dos ônibus e transformando a viagem numa coisa muito desconfortável. Outra coisa, nós precisamos acabar com a evasão. Ela é injusta, faz com que o sistema fique inviável economicamente, não há troca de ônibus, nem modernização. Então, precisamos que as pessoas que andam de BRT paguem como todos. Também vamos reprimir o comércio ilegal nas estações. O comércio só pode ser feito se estiver regularizado”, afirmou Crivella, que finalizou com um apelo à população: “Acima de tudo, quero pedir mais uma vez que não haja evasão no BRT para que todos possam usar um sistema com viabilidade econômica, que sirva a todos, que possa se renovar, que o ar condicionado não esteja quebrado, que os ônibus sejam novos. Para isso, é preciso pagar!”.

Logo bem cedo, equipes da Guarda Municipal, da Comlurb, da Coordenadoria de Controle Urbano (CCU) e das secretarias de Ordem Pública, de Conservação e Meio Ambiente, de Transportes e da Assistência Social e Direitos Humanos se reuniram no Centro de Controle Operacional (CCO) do BRT, ao lado do terminal Alvorada, na Barra da Tijuca. De lá partiram para a estação Salvador Allende, no Recreio. A ação de ordenamento desmontou barracas e apreendeu o material vendido irregularmente dentro e fora do terminal. Com dois ambulantes foram encontrados facas e rádios transmissores. Ambos foram levados para a delegacia para averiguação.

Quem está com a situação regularizada na Prefeitura comemorou a ação de ordenamento. Um deles, de 22 anos, trabalha com o pai em uma barraca na entrada de uma estação, vendendo salgadinhos e refrigerantes. Mesmo com suas taxas de licenciamento pagas em dia, ele conta que já sofreu ameaças de concorrentes.

“Um outro ambulante chegou a me ameaçar, dizendo que não queria concorrência e que ia quebrar minha barraca. Por isso, sou favorável a operações como essa. O ambulante não tem desculpa, dá para se legalizar e trabalhar corretamente”, disse o rapaz, que já teve o pneu da sua barraca furado três vezes.

A operação de combate ao calote e ao comércio ilegal será realizada em 13 estações de incidência média e alta desses problemas, entre o terminal Alvorada e a estação Pontal. Novas fases dessa operação estão sendo preparadas e serão desencadeadas em breve.

A intervenção deu início na noite de sábado (23/2) ao processo de recuperação de vias expressas do BRT, com a fresagem e repavimentação emergencial dos trechos mais críticos da faixa de rolagem dos ônibus articulados no BRT Transoeste.

Calotes no BRT

O Consórcio BRT estima em 74 mil o número de passageiros que invadem as estações todos os dias, sem pagar passagem. O fenômeno provoca perda de receita, depredação do patrimônio público e desconforto, uma vez que os invasores desrespeitam filas e prioridades. Muitos ambulantes, além de entrar sem pagar, também danificam as instalações e reduzem o espaço para a movimentação dos usuários.

Para enfrentar o problema, a primeira iniciativa do interventor no BRT, Luiz Alfredo Salomão, foi criar uma diretoria dedicada exclusivamente para tratar da questão da segurança. Para ocupá-la, foi indicado o coronel da PM Luiz Henrique Marinho Pires, a quem coube a articulação desta força-tarefa.

Repavimentação

O outro problema que já começou a ser enfrentado é o da pavimentação da calha por onde circulam os ônibus articulados. Falhas no projeto do corredor Transoeste, inaugurado em 2012, levaram à utilização de materiais e técnicas inadequados para o solo da região, o que provoca constantes depressões e elevações na pista, danificando os veículos.

O interventor já reuniu empresas e profissionais de engenharia, no âmbito da Academia Brasileira de Engenharia, para criar termos de referência para o projeto a ser licitado para resolver o problema de forma permanente. A solução, a longo prazo, não dispensa a realização de obras emergenciais. A primeira intervenção, a cargo da Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente, já iniciou um programa de fresagem e recapeamento de 8,5 quilômetros, divididos em nove trechos mais críticos. O primeiro tem 280 metros, na Estação Salvador Allende. O serviço tem que ser feito durante a madrugada para não causar transtornos ao trânsito.

Em sua primeira entrevista coletiva, marcada para as 15h desta segunda-feira 25, no CCO do BRT, o interventor Luiz Alfredo Salomão vai apresentar um balanço parcial do andamento dos trabalhos e falar sobre o que pretende realizar nos seis meses do regime da intervenção, segundo o decreto 45.640, de 29 de novembro de 2019.

Serviço

Data: 25/2/2019
Horário: 15 horas
Local: CCO do BRT
Endereço: Avenida das Américas s/n, ao lado do Terminal Alvorada do BRT (há acesso pela passarela para quem desembarca no terminal).

Texto: Ascom – Prefeitura do Rio de Janeiro
Fotos: Edvaldo Reis

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