Colocando-se no lugar do outro!

Artigo escrito por Ossesio Silva, secretário nacional do Idosos Republicanos

Publicado em 23/12/2020 - 08:36

Atualmente, estamos excessivamente imersos em nossas próprias vidas, com isso, tentar compreender o comportamento das pessoas em determinadas circunstâncias torna-se desafiador.

Conta uma antiga lenda indígena que certa tribo tinha o costume de levar os idosos a um local da floresta quando não estavam mais em condições de contribuir para os trabalhos da tribo, deixando-os ali para que morressem. Certo dia, um jovem, ao perceber que seu pai não conseguia mais manter-se sozinho, respeitando os costumes da tribo, embora contrariado, levou o pai ao lugar onde o deixaria para viver seus últimos dias. Antes de abandoná-lo, entretanto, entregou-lhe um grande cobertor, para que seu pai pudesse proteger-se do frio. O idoso pegou o cobertor e cortou-o ao meio, devolvendo metade ao filho, a quem disse para guardá-lo: “Talvez seu filho não seja tão generoso com você quanto você foi comigo”, explicou. Diante do fato, o filho conseguiu se colocar no lugar do pai e entender seus sentimentos. Sensibilizado, voltou com o pai para sua aldeia, relatou a história para a tribo e, desde então, decidiram que o costume seria abandonado.

A lenda nos mostra que a empatia é fundamental nas relações humanas, pois ao invés de promover um conflito, ela aproxima as pessoas e busca soluções. Há que se observar, contudo, que vivemos em uma época em que ser “uma pessoa egoísta” é adequado e virtuoso, enquanto ser empático é desafiador, uma troca de valores!

A boa notícia é que a empatia pode ser desenvolvida e aprimorada. Eu me atrevo a dizer que há muito mais empatia, solidariedade e cuidado do que imaginamos. Durante esse período de pandemia, a compreensão, a solidariedade, camaradagem, espírito de cooperação e interação virtual nunca se fizeram tão presentes. Por outro lado, em muitas situações essa habilidade ainda se encontra encoberta pelas sombras da indiferença, do preconceito, do egoísmo e do medo.

Então, vamos resgatá-la e desenvolver a capacidade de nos colocar no lugar do outro, pois não tenho dúvidas de que o exercício diário da empatia diminuiria os índices absurdos do preconceito, da intolerância, injustiça e exclusão, além de ser fundamental na luta diária contra o egoísmo, que nos autodefine como criaturas voltadas para os nossos próprios fins individualistas.

Artigo escrito por Ossesio Silva, secretário nacional do Idosos Republicanos

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