Intervenção. Vamos falar sério?

Intervenção. Vamos falar sério?

 

Há quem pense que a intervenção federal, na área de segurança pública de nosso Estado, embora necessária, tenha sido uma jogada política na tentativa de melhorar a imagem do presidente Michel Temer ou de sua sigla PMDB, hoje MDB.

Conjecturas à parte, o fato é que, após a “intervenção”, a sensação de insegurança da população de nosso estado aumentou muito. Inclusive, com crescimento nos índices da violência, como recentemente mencionado em pronunciamento do senador Eduardo Lopes (PRB-RJ), com a mudança da mancha criminal que se espalha por vários municípios do Rio de Janeiro.

Por estes dias, eu me vi acuado, impotente e quase que entrincheirado como tantas outras pessoas na Linha Amarela, debaixo de intenso tiroteio. Junto a mim, testemunhei várias pessoas em pânico e aos prantos com tamanha violência. Não era para menos!

Eu participei da primeira reunião que, apesar de se propor a fazer detalhamentos da intervenção, não esclareceu nada. Fui também testemunha de que o único dos três senadores eleitos pelo Estado do Rio de Janeiro presente, na ocasião, foi Eduardo Lopes. Tanto que, por justiça e merecidamente, tornou-se o relator, no Senado, do tema da intervenção federal.

Penso que não podemos ser superficialistas ao tratarmos ou tentarmos entender o porquê da situação em que nosso estado chegou. Tudo tem seu início, seus fluxos, seus responsáveis e papéis no desencadear dos cenários, tanto nos êxitos, como nos erros. Por exemplo, as Polícias Militar e Civil, constitucional ou institucionalmente em tese, guardadas as devidas proporções, não são apropriadas ou definidas para o combate ao tráfico de armas ou às pastas-base para a produção de drogas ilícitas.

Para se tentar esclarecer, os fuzis AR-15 e tantas outras armas de guerra com enorme poder de destruição e letalidade, em posse dos criminosos, não são fabricados no Rio de Janeiro ou no Brasil. Significa dizer que as forças federais não têm sido estrategicamente eficientes nas fronteiras, costas, aeroportos e portos. A guarnição de nossas fronteiras é papel do Exército Brasileiro e da Polícia Federal.

O EB deve cobrir, inclusive, regiões de matas e montanhas – espaço aéreo e aeroportos são funções da Aeronáutica e da Polícia Federal; costas e portos são funções da Marinha do Brasil e da Polícia Federal. Inclusive, as operações, em vários momentos, precisam ser coordenadas e conjuntas.

Não é necessário ser especialista em segurança pública ou soberania nacional para chegar à conclusão de que as operações das polícias em seus respectivos estados serão, como se diz no jargão popular: “ENXUGAR GELO”, caso as instituições federais (Forças Armadas e Polícia Federal) falhem nas divisas e nas portas de entrada de nosso país.

O Brasil depende que suas instituições públicas e a sociedade compreendam suas prerrogativas, seus papéis sociais e os pratiquem. Acredito que o Brasil melhor para todos passa por bons agentes públicos e por uma sociedade melhor.

Juntos somos mais fortes!

*Carlos Macedo é deputado estadual pelo PRB Rio de Janeiro

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