Ossesio Silva defende mais médicos geriatras no SUS

Atendendo à solicitação do republicano, a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, da Câmara dos Deputados, debateu o tema em audiência pública

Publicado em 29/08/2019 - 00:00

Brasília (DF) – Atendendo à solicitação do deputado federal Ossesio Silva (Republicanos-PE), a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, da Câmara dos Deputados, realizou audiência pública na quarta-feira (28), no intuito de discutir o aumento do número de médicos geriatras nas instituições públicas de saúde. “O Brasil não nos preparou para envelhecer e hoje temos que reparar essa falta de profissionais que cuidem de pessoas acima de 60 anos”, disse o parlamentar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um geriatra para cada mil idosos, no entanto, no Brasil existe um profissional para cada 16 mil. Ossesio explica que as pessoas acima de 60 anos precisam de cuidados especializados que vão além de medicação adequada. “O idoso é como uma criança, mas com experiência. É preciso alimentação adequada, muito carinho e atenção, enfim, um atendimento completo”, defendeu.

Representando a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Leonardo Pitta falou sobre o aumento de unidades de internação de geriatria no SUS. “Ampliar a ação especializada do geriatra na saúde pública vai gerar menos custos e melhores resultados clínicos. A geriatria atua centrada no paciente e não apenas na resolução da doença, fazendo a diferença na reabilitação e devolvendo o cidadão à sociedade com mais qualidade de vida e mais segurança”, argumentou.

O secretário Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Antonio Fernandes da Costa, disse que 75% dos brasileiros com mais de 60 anos dependem da rede pública. “Enquanto países da Europa proporcionam a essa população um atendimento público adequado, no Brasil quanto mais se envelhece, mais se paga por planos de saúde. Um idoso tem que ter em média 2.500 a 2.800 reais por mês para pagar um seguro desse tipo. Como alguém que vive apenas com recursos de aposentadoria poderia pagar tanto?”, questionou.

Chamando atenção para o envelhecimento da população mundial, o presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, Alexandre Kalache, trouxe os seguintes dados: em 1950, havia 50 milhões de pessoas idosas no mundo, até o ano de 2050 serão 400 milhões. “Atualmente, são 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos, em 2065, serão 78 milhões, ou seja, mais de 1/3 da população do planeta”, explicou.

De acordo com o ex-secretário do Idoso do Distrito Federal, Ricardo Quirino (Republicanos), a Política Nacional do Idoso (Lei 8442/14), já prevê que a geriatria faça parte como especialidade clínica de concursos públicos nas esferas municipal, estadual e federal. Segundo ele, a legislação também prevê a inclusão dessa especialidade na grade curricular de instituições de Ensino Superior. “Nada estimula a curiosidade se não for falado. Precisamos despertar na sociedade os conceitos básicos do envelhecimento”, observou.

Quirino acredita que a maioria dos problemas enfrentados pelos idosos decorre de discriminação. “É impossível falar sobre defasagem de geriatras e de todos os profissionais que trabalham na área do envelhecimento, sem falar em preconceito”, afirmou.

Ossesio Silva considerou o debate bastante proveitoso e reforçou a responsabilidade dos parlamentares, não apenas em propor leis, mas, em torná-las realidade. “É fundamental promover debates e trazer a sociedade para dentro desta Casa. Precisamos nos unir independentemente de partidos políticos para colocar em prática o que já conquistamos no Congresso”, concluiu o parlamentar.

Texto: Fernanda Cunha, com edição de Mônica Donato / Ascom – Liderança do Republicanos na Câmara
Foto: Douglas Gomes

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