Marcos Pereira defende instituições em evento sobre democracia e faz apelo por moderação

Durante o Seminário Política, Democracia e Justiça, vice-presidente da Câmara defendeu a democracia e as instituições e fez um apelo ao “bom senso, à moderação e ao diálogo”

Publicado em 26/11/2019 - 00:00

Brasília (DF) – Com um discurso forte em defesa da democracia e das instituições e um apelo ao “bom senso, à moderação e ao diálogo”, o deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP) foi uma das principais autoridades a participar, na manhã de hoje (26), na Câmara dos Deputados, do ‘Seminário Política, Democracia e Justiça’. O evento contou com a presença de representantes dos três poderes, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, e outras autoridades.

Marcos Pereira defende instituições em evento sobre democracia e faz apelo por moderação

Vice-presidente da Câmara e organizador do evento, Marcos Pereira iniciou sua fala com um desabafo contra as “sugestões autoritárias” protagonizadas recentemente por um parlamentar. Ele argumentou que o Brasil já passou dos 30 anos após a redemocratização e que o País precisa se comportar como quem chega à vida adulta. “Qualquer pessoa aos 30 anos de idade já não pode mais se deixar levar pelas inconsequências da adolescência e da juventude”, disse.

O deputado apontou, ainda, que os ataques às instituições representam o exato oposto do que prescreve o conservadorismo clássico. “A preservação e o fortalecimento das instituições são a base do conservadorismo”, disse Marcos Pereira ao falar do seu partido, o Republicanos, que lançou recentemente um novo manifesto com “compromisso programático de sempre defender a democracia, o republicanismo, as instituições, a liberdade de expressão e reagir com força a qualquer tentativa de vilipendiar a Constituição”, comentou.

Ao citar a célebre afirmação do estadista britânico Winston Churchill, o vice-presidente da Câmara fez uma defesa enfática da democracia que, apesar de imperfeita, ainda é superior a todas as demais formas de governo. “Nenhum país do mundo está a salvo de problemas por melhor, por mais desenvolvido e por mais democrático que ele seja”, declarou Marcos Pereira. Os investimentos em educação, em eficiência e em promover cidadania em todos os níveis foram apontados como iniciativas decisivas para as nações que se desenvolveram.

Marcos Pereira também destacou o trabalho do Parlamento neste primeiro ano da nova legislatura e afirmou que deputados e senadores estão cumprindo seu papel por um Estado menor, mais ajustado, desburocratizado e eficiente, com regras claras, segurança jurídica, estabilidade política e trabalho para os brasileiros.

Ele terminou dizendo que acredita no empenho do presidente Jair Bolsonaro em “fazer um governo transformador de fato”, e colocou-se à disposição, juntamente com o Republicanos, para “trabalhar pelo que é bom de verdade para o povo brasileiro”.

O evento contou ainda com a participação como painelistas do jornalista Fernando Rodrigues (Poder 360 e Drive), dos deputados federais Lafayete de Andrada (Republicanos-MG) e Fábio Trad, do senador Eduardo Gomes, do advogado e ex-presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coelho, do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nefi Cordeiro, e do jurista Lenio Streck.

Leia abaixo o discurso do deputado Marcos Pereira na íntegra.

Bom dia a todos!

[cumprimentos protocolares]

Começo meu pronunciamento com um desabafo. Para mim é um misto de indignação com perplexidade termos que estar reunidos neste dia para reforçar a importância da democracia, do papel das instituições e repudiar as sugestões autoritárias que vimos recentemente e que partiram de onde não deveriam partir.

30 anos após a redemocratização, é de pressupor que nossa nação já tenha chegado à vida adulta. Qualquer pessoa aos 30 anos de idade já não pode mais se deixar levar pelas inconsequências da adolescência e da juventude. É hora de assumir suas responsabilidades e entender que precisa trabalhar para resolver problemas reais da vida real.

Tem um texto bíblico que afirma que de uma única fonte não podem jorrar água doce e água salgada. Do mesmo modo não parece adequado que um parlamentar democraticamente eleito possa sugerir a volta de mecanismos de censura e de perseguição política. Não faz sentido nenhum.

Também não faz sentido uma pessoa declarar-se conservadora e afrontar as instituições. A preservação e o fortalecimento das instituições são a base do conservadorismo. Outra vez trata-se de uma desconexão conceitual grave.

Creio que este assunto já esteja superado, mas não podemos deixar de vigiar. Registro aqui, em nome do meu partido, o Republicanos, o compromisso programático de sempre defender a democracia, o republicanismo, as instituições, a liberdade de expressão – com responsabilidade, é claro -, e reagir com força a qualquer tentativa de vilipendiar nossa Constituição.

Entendo que nosso sistema é forte, mas que precisa ser aperfeiçoado, como tudo na nossa vida. Nada é tão bom que não possa melhorar. Como conservadores que somos, acreditamos no progresso (inclusive tecnológico) desde que feito com cuidado, de forma gradativa, sem grandes revoluções.

No novo manifesto do meu partido deixamos de maneira muito clara que vemos com desconfiança pessoas que queiram se colocar acima das instituições. Ninguém está acima da Constituição e da lei. Desde o presidente da República, seja ele quem for, à pessoa mais simples no mais longínquo município deve-se respeito às regras da nossa democracia, inclusive o STF que tem o dever de ser o guardião da Carta Maior.

Nosso sistema é imperfeito, é verdade, mas como disse o estadista conservador britânico Winston Churchill, “ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”. Impecável!

Nenhum país do mundo está a salvo de problemas por melhor, por mais desenvolvido e por mais democrático que ele seja. Mas eu estou convicto de que um grande passo que todos eles tomaram para chegarem mais perto do ideal foi investir em educação, em eficiência e promover cidadania em todos os níveis.

No Brasil, infelizmente, celebra-se a estupidez. Comemora-se o fracasso do próximo. Trabalha-se contra o país para justificar uma narrativa ideológica. Incutiram na cabeça das pessoas que ter sucesso é ruim, que ganhar dinheiro é um problema social quando na verdade não ganhar dinheiro é que é o problema.

Como falei no início, temos problemas reais e muito graves para resolver em vez de ficarmos trocando ofensas nas redes sociais e por meio da imprensa. É hora de separar os homens dos meninos. O apóstolo São Paulo, para novamente citar um texto bíblico, narra seu próprio amadurecimento. Diz ele em 1ª Coríntios, capítulo 13, versículo 11:

“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino”. Em outras palavras, é hora de acabar com a “molecagem”.

Precisamos trabalhar, e nós no Parlamento estamos fazendo nossa parte, por um Estado menor, mais ajustado, desburocratizado e eficiente. Precisamos de um país com regras claras, com segurança jurídica, com estabilidade política e trabalho para todos.

Tenho certeza de que o presidente Jair Bolsonaro está empenhado em fazer um governo transformador de fato. E ele pode contar comigo, com meu partido e com a Câmara dos Deputados para trabalhar pelo que é bom de verdade para o povo brasileiro. Os choques e as trombadas são próprios da democracia, mas sempre podemos melhorar.

O diálogo político equilibrado é essencial. Não tem nada de errado sentar numa mesa com aliados (ou potenciais aliados) para chegar a entendimentos que sejam comuns a todos. Por isso faço um apelo ao bom senso, à moderação e, sobretudo, ao diálogo republicano. Se todo mundo ceder um pouco, ninguém vai perder e o Brasil ganhará.

Viva a democracia.

Viva o republicanismo.

Viva o Brasil.

Obrigado a todos.

Texto: Ascom – deputado federal Marcos Pereira
Fotos: Douglas Gomes

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