2 de julho foi conquistado com a luta de mulheres fortes

Em artigo, Tia Eron destaca a participação das mulheres na luta pela independência da Bahia, comemorada em 2 de julho

Publicado em 02/07/2015 - 00:00

Em uma reflexão sobre a história da independência da Bahia, vejo nós moradores dessa terra de altos e baixos, como pessoas guerreiras que não se abatem com as dificuldades diárias e saem todos os dias em busca de um recomeço ou de um novo modelo de vida.

A Bahia foi o lugar onde Pedro Álvares Cabral desembarcou em 22 de abril de 1500, deu início à exploração do território brasileiro pelo domínio Português. De lá para cá, houve desenvolvimento é claro, não posso negar. No entanto poderíamos ter avançado mais ainda na área da educação, cultura, habitação, segurança, saúde…

Hoje, muitos dos problemas vividos pelos baianos, são consequentes do período colonial, mas o povo é forte, persistente e não se entrega nunca. Uma grande prova do que estou falando ocorreu em 1823, exatamente no dia 2 de julho. Naquela data, ocorreu a real independência do Brasil. Com isso não estou aqui afirmando que o 7 de setembro seja insignificante, é significante sim!  Mas se voltarmos no tempo, iremos perceber que D. Pedro I proclamou a Independência do Brasil um ano antes, em 1822.

Mesmo assim com o resto do país liberto de Portugal, a Bahia permanecia sob o domínio dos lusitanos porque o povo ainda era explorado com a cobrança de altos impostos e de outras obrigações determinadas pelo governo, que não aceitava abandonar a Bahia. A nossa história conta que a declaração da Independência do Brasil em 1822, ascendeu uma série de conflitos entre o governo, tropas e o povo.

Essa disputa de interesses se deu porque enquanto os grupos favoráveis ao fim da colonização brigavam pela independência, os liberais de Portugal não aceitavam entregar o Brasil aos brasileiros e defendiam a reafirmação dos laços coloniais. Assim, o povo entrou na guerra em busca da libertação e as mulheres tiveram papel de destaque nessa batalha. E nesta quinta-feira (2 de julho), quando completamos 192 anos de independência, vêm o reconhecimento da luta encampada pelas mulheres.

Sabiamente, durante as comemorações da Independência da Bahia, a Fundação Gregório de Mattos faz uma justa homenagem àquelas que tiveram grande parcela de contribuição para a libertação do povo brasileiro. As Guerreiras da Independência: Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa serão lembradas através da decoração de todo o percurso do desfile.

Mas as homenagens se estendem ainda à historiadora Consuelo Pondé, que dirigiu, por 20 anos, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBA) e, também, à maratonista alagoana radicada no estado, Marly dos Santos, que vai acender a pira, no Campo Grande. O reconhecimento a essas mulheres mostra que, ao longo do tempo, o gênero vêm conquistando mais espaço, respeito e admiração. E é por isso que fazemos parte do contexto de construção de uma sociedade mais justa, com a participação da mulher, que ainda luta por sua independência total.

*Artigo escrito por Tia Eron, deputada federal e presidente do PRB na Bahia

Reportar Erro