Carteiradas e falta de cidadania

Muitas pessoas acreditam que por ocuparem algum tipo de cargo ou função relevante, ter uma formação superior ou dinheiro as fazem melhores que as demais

Publicado em 20/07/2020 - 09:02

Olá, republicanos de todo Brasil!

Viralizou nas redes sociais e acabou virando notícia o vídeo de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo que rasgou uma multa e chamou um guarda civil de “analfabeto” ao ser abordado por não estar usando máscara ao caminhar pela orla de Santos.

Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira, de 63 anos, argumentou que o decreto municipal que obriga o uso da máscara não tem força de lei. No vídeo ele ameaça jogar a multa “na cara” do guarda. Siqueira então pega o celular e supostamente liga para o secretário de Segurança Pública de Santos para reclamar da abordagem.

Entre tantos outros absurdos e impropérios proferidos pelo desembargador, não poderia faltar a frase clássica de quem se acha superior a ponto de não querer cumprir regras a que estão submetidos todos os demais: “Você sabe ler? Então leia bem com quem o senhor está se metendo”, disse. A famosa ‘carteirada’.

Em outro caso ocorrido no Rio, clientes de um estabelecimento que não seguia as regras de higiene e distanciamento social intimidaram um fiscal da Vigilância Sanitária que fazia a abordagem.

Em vídeo que também viralizou nas redes sociais o fiscal é ofendido por uma mulher depois dele ter se dirigido ao seu marido como “cidadão”.

Vou reproduzir o diálogo abaixo:

Homem: Não vai falar com seu chefe, não?
Mulher dele: A gente paga você, filho. O seu salário sai do meu bolso.
Homem: Cadê sua trena? Quero saber como você mediu sem trena.
Fiscal: Tá, cidadão.
Mulher dele: Cidadão, não. Engenheiro Civil, formado. Melhor do que você.

Nas duas circunstâncias, entre tantas outras que acontecem todos os dias no Brasil, as pessoas que foram alvos da fiscalização entendem, por alguma razão, que são superiores àqueles que estão praticando a abordagem. Um entende que por ser desembargador não deve cumprir um decreto municipal nem respeitar o trabalho da Guarda Civil; a outra supõe que o marido formado em Engenharia é superior ao fiscal da Vigilância Sanitária, e que o fato do fiscal ser funcionário publico, pago com dinheiro de impostos, não tem o ‘direito’ de perturbá-los.

A falta de cidadania e de respeito às regras é algo que fica ainda mais evidente em momentos de conflito e de tensão. Muitas pessoas acreditam que por ocuparem algum tipo de cargo ou função relevante, ter uma formação superior ou dinheiro as fazem melhores que as demais.

Todos sem exceção devem cumprir as leis e as regras de convívio social não apenas durante a crise da pandemia. São muitos os casos de falta de educação e cidadania no Brasil. Aparentemente nem mesmo a exposição nas redes sociais e na imprensa parece sensibilizar as pessoas para mudarem este tipo de comportamento. Leva uma vida inteira para construir uma reputação, mas basta um vídeo de poucos segundos para acabar com a vida de alguém.

Pensem nisso. Republicanos, vamos juntos promover a cidadania.

Boa semana.

Marcos Pereira
Presidente Nacional do Republicanos
Vice-Presidente da Câmara dos Deputados

 

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