A mulher segue firme na luta

A mulher segue firme na luta

 

Embora o Carnaval seja uma época de festa e alegria, não são poucas as manifestações de violência, sobretudo contra a mulher. São inúmeros casos de assédio, importunação sexual, estupro e até feminicídio em todo o país. E nada mais oportuno falar sobre isso neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Como já foi relatado neste espaço, em artigo anterior, lançamos na capital baiana, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a campanha “Meu corpo não é sua fantasia”, que passou por todos os circuitos da festa alertando para o assédio sexual e a violência contra a mulher. Tomamos a iniciativa por saber que esses problemas, frutos da cultura do machismo, sobem a níveis alarmantes durante o Carnaval. Nosso grito foi ouvido não apenas na Bahia, mas também em outros estados, considerando que a campanha inspirou outras Brasil afora, e atingiu quem mais nos interessava: o folião e a sociedade como um todo.

No entanto, projetos como esse não podem ter vida curta ou serem sazonais, morrendo junto com o fim de um período festivo. Sua missão e suas ações precisam perdurar o ano todo, ininterruptamente, fortalecendo a rede de proteção à mulher e atuando no cotidiano das pessoas, promovendo a reflexão, a solidariedade, a coragem e ajudando a denunciar esses males tão graves.

No segundo semestre do ano passado, a importunação sexual passou a ser considerada crime. Isso significa que a realização de ato libidinoso na presença de alguém, como toques ou “beijos roubados”, sem consentimento prévio, pode levar seu autor à prisão. Essa é mais uma garantia que as mulheres têm de que eventuais agressores serão punidos à altura. E é mais uma prova de que a luta tem dado resultado.

Não podemos nos permitir abater pelos casos de estupro, assédio, importunação sexual, agressões e feminicídios cada vez mais expostos pela grande mídia. Pelo contrário, devemos estar cada vez mais vigilantes, exortando inclusive os homens a denunciarem. Porque, quando uma mulher sofre uma agressão, todos aqueles que não se posicionam assumem a sua parcela de conivência.

*Ireuda Silva é vereadora de Salvador pelo PRB e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na câmara municipal.

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