Do discurso à prática

Carlos Geraldo fala sobre o preconceito de raça e de gênero no Brasil e aponta a educação como caminho

Publicado em 07/02/2016 - 00:00

A fim de tentar amenizar as transgressões coletivas, a sociedade brasileira entoa os mais tocantes discursos sobre os mais variados temas, como justiça social, combate às diferenças, fim da segregação e da estratificação social. São muitos os pontos abordados pelos mais influentes intelectuais de todas as épocas, os quais rendem, todos os anos, pilhas e mais pilhas de conceitos, ditos ou escritos. Palavras não faltam, discursos se esvaem, gerações passam e a situação continua a mesma.

Mesmo depois de décadas de conquistas emancipadoras, o Brasil ainda arrasta a dor do preconceito de raça e de gênero restringindo, cada vez mais, o acesso aos direitos civis.

Nesse terreno, cabe questionar o porquê de ainda existirem tantos comportamentos retrógrados por parte das autoridades e da população de modo geral. Boa parte da sociedade ainda é excluída, claramente e legalmente de acesso aos direitos básicos sociais.

Entre tantas perguntas sem respostas, do discurso até a prática, tem-se um longo caminho, pelo qual perpassa inevitavelmente a educação para os Direitos Humanos, cuja força é capaz de determinar as mais promissoras conquistas.

Pois esta é, sem dúvidas, uma poderosa arma de combate ao preconceito e tantas outras mazelas sociais. É preciso que os padrões sociais sejam de fato reconfigurados para que enfim o país possa chegar à solução do problema. Se é de bons referenciais que precisam os nossos filhos, para então gerar uma cultura de equidade, que façamos agora o que tem que ser feito. O discurso brasileiro já um velho conhecido da nação. É hora de nós mesmos partirmos para a mudança. Não é de novas políticas que o Brasil precisa, mas de novos comportamentos.

 

* Carlos Geraldo é secretário nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte

 

 

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