Atividades econômicas voltando, como garantir a saúde e não ser infectado

Atividades econômicas voltando, como garantir a saúde e não ser infectado

Orientações básicas permanecem: se puder, fique em casa. Mas, se precisar sair, use máscara e álcool gel 70%

Publicado em 10/07/2020 - 11:13

Brasília (DF) – Com a reabertura gradual do comércio depois de quase quatro meses fechados por causa da Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, todas as medidas de proteção recomendadas por especialistas da saúde devem ser intensificadas. Dentre elas, se puder, fique em casa. Mas, se precisar sair, não esqueça do kit, máscara e álcool gel 70%, além de evitar levar as mãos ao rosto.

Reabertos, estabelecimentos buscam recuperar as perdas com o longo período fechado. Mas, para que possam funcionar e atender de forma a evitar contaminação, os estabelecimentos precisaram cumprir uma série de medidas sanitárias com intuito de evitar a disseminação da doença, tais como disponibilizar álcool gel 70% e medir a temperatura dos clientes logo na entrada, entre outros procedimentos.

Embora as atividades econômicas tenham que retomar, sanitaristas orientam que a flexibilização do isolamento e distanciamento social poderá, sem base científica e técnica, potencializar o número de casos, o que poderia provocar colapso no sistema de saúde público e privado.

No final do mês de junho, pelo menos 17 estados e o Distrito Federal publicaram medidas que permitem o afrouxamento das normas que foram adotadas inicialmente, discutindo com prefeituras uma retomada gradual, dependendo da situação de cada região.

Ainda com números altos de casos e de mortes pela Covid-19, o Brasil caminha para a estabilização, mas precisa redobrar a cautela, observou recentemente a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Ministério da Saúde registrou nesta quinta-feira (9) 42.619 novos casos da Covid-19 e 1.220 mortes provocadas pela doença. Com isso, o país chega a 1.755.779 infectados e 69.184 óbitos.

Segundo o ministério, a doença tem avançado pelo interior do país nas últimas semanas epidemiológicas, enquanto os casos em grandes centros diminuem. Mais de 96% dos municípios brasileiros já registraram ao menos uma infecção pelo vírus, enquanto 51% das cidades tiveram óbitos em função da doença.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, desde segunda-feira (6) bares e restaurantes estão autorizados a abrir os salões para consumo local, sob algumas condições. Entre as restrições impostas pelo governo e prefeitura, estão a ocupação de até 40% do espaço e limitação do horário de funcionamento dos salões, que só podem ficar abertos por seis horas e até às 17h.

Como se proteger

De todas as medidas para conter o contágio do coronavírus, além do isolamento para quem pode, o uso de máscaras é a principal recomendação das autoridades sanitárias. Ela tornou objeto inseparável no dia a dia das pessoas que precisam sair de suas casas para trabalhar ou ir ao supermercado, por exemplo.

Na volta para casa, o ritual contra a Covid-19 deve ser mantido: não entre com os sapatos que você usou fora da sua residência; tome um banho e troque de roupa. Se fez compras, é preciso higienizar alimentos e embalagens, assim como os cartões usados para pagamento e até mesmo a bolsa usada durante a saída de casa. Lembre-se de trocar as máscaras a cada duas horas ou sempre que ela estiver úmida — elas devem ser lavadas com água e sabão e ficar de molho por pelo menos 20 minutos.

Outra recomendação é que as pessoas, ao frequentarem locais com grande aglomeração, não toquem a boca, o nariz ou olhos sem antes ter lavado as mãos ou pelo menos limpá-las com álcool. O vírus é transmitido por via aérea, mas também pelo contato.

Tempo de vida do novo coronavirus

De acordo com a New England Journal of Medicine, CDC e University of Califórnia,LA, Princeton,  publicada no site da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), este é o tempo de duração do vírus em cada uma das seguintes superfícies:

Aço inoxidável: 72 horas (3 dias)
Plástico: 72 horas (3 dias)
Papelão: 24 horas (1 dia)
Cobre: 4 horas
Material liquido ou solução aplicada ou transformados sob a forma de aerossol/poeiras: 40 minutos a 2 horas e 30 minutos.

Como parte das recomendações aos governos e prefeituras, que têm autonomia para adotarem medidas, o Ministério da Saúde orienta que sejam promovidas ações para manter as pessoas à uma distância de pelo menos dois metros. As atividades que permitirem agendamento devem utilizar este sistema adotando recursos on-line para a marcação.

As autoridades locais devem procurar também flexibilizar horários de modo a evitar a concentração de pessoas em determinados momentos do dia em espaços públicos. Devem ser demarcadas também áreas proibidas para a circulação e sinalizadas as capacidades máxima de pessoas de cada ambiente.

Ainda como parte das diretrizes da Saúde, é recomendado ao setor econômico a adoção de planos de ação de abertura, que contenham também as formas de recuo, se houver necessidade de restrição maior em função do crescimento dos casos da Covid-19.

Conforme as diretrizes da Saúde, as empresas devem divulgar aos trabalhadores e consumidores orientações de prevenção. São listados cuidados de higiene dentro das firmas, como disponibilizar álcool em gel, estimular uso de máscaras e incentivar lavagem das mãos antes e após colocação das máscaras e ao manipular produtos que serão comercializados para terceiros.

Na entrada das empresas, devem ser implantados sistemas de triagem, como a medição de temperatura dos trabalhadores. Pessoas com aumento de temperatura e sintomas devem ser orientadas a não adentrarem os locais de trabalho. As direções de firmas e instituições devem acompanhar casos suspeitos, incluindo monitoramento de quem teve contato com a pessoa.

Aos cidadãos, o Ministério da Saúde lista cuidados como higienização das mãos com água e sabão ou com álcool em gel 70%, uso das máscaras em todos os ambientes, evitar tocar olhos, nariz e boca, bem como nas próprias máscaras, cobrir nariz e boca ao espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter distância de pelo menos dois metros de outras pessoas e evitar situações de aglomeração.

Ida ao comércio

Agir bem nesse “novo normal” é evitar ir ao comércio ou a outros locais sem necessidade. As medidas para evitar o contágio devem seguir, como manter a distância de cerca de dois metros entre as pessoas, com o cuidado nas filas. Evite horários de pico e, se houver aglomeração, espere um outro momento para entrar na loja.

Mesmo com a flexibilização, os comerciantes devem fiscalizar e demarcar os locais para evitar a aproximação das pessoas. Esteja atento ao cumprimento destas regras.

Estou com os sintomas da Covid-19. E agora?

As pessoas que perceberem sintomas da Covid-19 – como febre, dor de garganta ou coriza, tosse e falta de ar – devem buscar atendimento médico, ficar em isolamento durante 14 dias e evitar contato com outras pessoas.

Vacina

Ainda sem cura, cientistas correm contra o tempo para desenvolver uma vacina capaz de conter a Covid-19. Entre todos os experimentos pelo mundo, uma vacina em processo mais adiantado de teste utiliza um vírus diferente do coronavírus, inativado e inócuo, dotado geneticamente de proteínas deste último, capazes de provocar a resposta do sistema imunitário.

Segundo especialistas, o cenário anunciado para o Brasil é finalizar os testes em outubro e iniciar a fabricação de 30 milhões de doses a serem aplicadas já no primeiro semestre de 2021. A expectativa, se esta primeira fase der certo, é fabricar mais 70 milhões de doses para o segundo semestre do ano que vem.

De acordo com a OMS, a vacinação deve priorizar primeiro os profissionais de saúde, idosos e adultos com comorbidades (ocorrência de duas ou mais doenças relacionadas no mesmo paciente ao mesmo tempo). O critério levará em consideração as pessoas com maior risco de contaminação.

No Brasil, o Instituto Butantan segue no desenvolvimento da vacina e anunciou nesta quinta-feira (9) que a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) autorizou o início da fase 3 de testes clínicos com a vacina, desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.

A terceira fase do estudo visa comprovar a segurança e a eficácia da vacina contra o novo coronavírus. Ao todo, serão testados nove mil voluntários que serão recrutados para participar do ensaio. A inscrição dos interessados deve ser feita em um aplicativo, com lançamento previsto para a próxima segunda-feira (13). A data de início dos testes, já anunciada anteriormente, permanece a mesma, dia 20 deste mês.

Por enquanto, tão democrático quanto à Covid-19, que não escolhe raça, cor, classe social, idade e sexo, o país deve seguir unido e em alerta na luta para diminuir a propagação de um inimigo invisível e cruel.

Por Agência Republicana de Comunicação – ARCO
Djalma Vassão / Fotos Publicas

 

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