Violência contra a mulher: uma discussão salutar

Artigo escrito por Ireuda Silva, vereadora de Salvador pelo PRB

Publicado em 08/03/2017 - 00:00

A violência contra a mulher é um dos males que perpassam a história humana, e um dos mais difíceis de serem erradicados. Durante séculos, a submissão ao pai e, posteriormente, ao marido, bem como agressões verbais e físicas foram consideradas elementos constituintes da estrutura social: o sexo feminino era visto como mais fraco, menos inteligente e bravio, menos necessário ao movimento da economia e à preservação da segurança do grupo. Por isso, humilhações e atitudes coercivas eram perfeitamente aceitáveis.

Tal pensamento foi mudando com o passar do tempo, mas foi a partir da década de 1970 que movimentos pela defesa das mulheres ganhou corpo, estendendo-se até os dias atuais. Nessa perspectiva, as Organizações Não-Governamentais (ONGs) desempenham um papel fundamental não apenas no sentido de fornecer apoio psicológico, moral e intelectual, mas são atores importantíssimos para os mecanismos de denúncia e para disseminar informação e conhecimento sobre o assunto. Por incrível que pareça, muitos de nós ainda encaram com normalidade, ou com menos gravidade do que deveríamos, casos de violência doméstica – que vão desde agressões verbais a ataques físicos de maior gravidade.

Relacionamentos abusivos também constituem outra espécie de situação degradante à qual muitas mulheres são submetidas. E devo dizer que é também uma das mais
perigosas, já que frequentemente surgem romantizados em produtos de ficção vendidos às massas, a exemplo de telenovelas, filmes e livros.

Apesar da luta ferrenha empreendida diariamente por todas nós, ainda há muito o que fazer e alcançar. Vencer a cultura machista e patriarcal depende, em grande medida, de políticas públicas que visem uma mudança de pensamento, ampliação dos canais de atendimento e denúncia, além de punições mais severas, ostensivas e, acima de tudo, mais ágeis para os agressores. Trata-se de uma tarefa árdua e de longo prazo, já que estamos falando de uma cultura alimentada ao longo de milênios.

*Ireuda Silva é vereadora de Salvador pelo PRB

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