Unesco anuncia Rio de Janeiro como Capital Mundial da Arquitetura

Prefeito Marcelo Crivella (PRB) comemora “marco na história cultural” carioca. Cidade também sediará Congresso Mundial de Arquitetos em 2020

Publicado em 20/01/2019 - 00:00

Rio de Janeiro (RJ) – A Cidade Maravilhosa, conhecida mundialmente por suas belezas naturais, tornou-se também a primeira Capital Mundial da Arquitetura. O anúncio foi feito em Paris nesta sexta-feira (18), na sede da Unesco, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para educação, ciência e cultura. A secretária municipal de Urbanismo, Verena Andreatta, representou o prefeito Marcelo Crivella (PRB) na solenidade. Em 2020, o Rio será sede do 27º Congresso Mundial de Arquitetos. O evento ocorre a cada três anos, e, a partir da edição carioca, a cidade que sediar o evento receberá também o título.

“Nosso compromisso é o de transformar o ano de 2020 em um marco na história cultural da cidade. Além da visibilidade internacional, teremos a oportunidade de ampliar a relação de pertencimento dos moradores da nossa cidade com o seu patrimônio histórico e arquitetônico, difundindo e preservando esse acervo”, comemorou o prefeito Marcelo Crivella. “O Rio de Janeiro possui uma arquitetura que reflete a riqueza de culturas que formam a sociedade brasileira, por ter sido porto e capital do Brasil por mais de dois séculos”, acrescentou.

Verena Andreatta destacou os impactos econômicos e sociais do título conferido pela Unesco: “Os impactos serão enormes, porque a cidade vai entrar num momento de debate sobre as condições urbanas. Não só o Rio, mas todas as capitais mundiais, que estão estruturando seu futuro para as próximas décadas. Estima-se que venham ao Rio, em 2020, durante o congresso mundial, mais de 25 mil pessoas e, com isso, nossa cidade também vai ganhar com o turismo, com empregos e renda.

Presidente do 27º Congresso Mundial de Arquitetos UIA 2020 RIO, Sérgio Magalhães frisou que a decisão da Unesco abre novas perspectivas para a cidade e o país. “Ser Capital Mundial da Arquitetura e sediar o Congresso Mundial de Arquitetos formam um binômio de extrema importância para a cidade do Rio e para a cultura arquitetônica brasileira. Especialmente, porque proporciona um diálogo com a sociedade, que deverá criar um novo tempo para o enfrentamento dos desafios das nossas cidades”, destacou Magalhães.

O Rio foi escolhido pela UIA por seu passado arquitetônico, histórico e cultural, mas também pelos desafios que enfrenta. O congresso, no entendimento de Magalhães, vai gerar reflexão sobre o futuro carioca. Cidade de grande diversidade urbanística, o Rio tem em seu território situações comuns em grandes centros urbanos, tanto de países mais pobres ou em desenvolvimento como de nações ricas. “O que a torna um caso quase único de interesse para os arquitetos do mundo todo”, assinalou Magalhães.

“A cultura e a arquitetura são fundamentais para a superação de desafios e soluções inovadoras para os espaços urbanos. Ter o Rio como a primeira Capital Mundial da Arquitetura é um fato a ser celebrado pelo país, uma vez que a cidade se tornará o palco de uma série de eventos, em 2020, para tratar de temas importantes para o desenvolvimento, como cultura, planejamento urbano, mobilidade, obras públicas e a construção de cidades mais inclusivas. Além desse título, a cidade ainda é reconhecida por abrigar dois sítios do Patrimônio Mundial Cultural: paisagens cariocas entre a montanha e o mar e o Sítio Arqueológico Cais do Valongo”, comentou a diretora da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto.

Legado para a cidade

Além de atrair novamente as atenções internacionais de forma positiva, o título de Capital Mundial da Arquitetura destaca um aspecto ainda pouco difundido do Rio: seu valor arquitetônico. A cidade tem muito a oferecer nesse sentido: construções do período colonial; prédios no estilo art-déco, que marcou as primeiras décadas do século passado; e os primeiros edifícios modernistas e pérolas da arquitetura de Oscar Niemeyer, maior nome brasileiro, reconhecido mundialmente. No entanto, segundo especialistas, o principal legado será o de identificar metas que possam ser traçadas para os próximos dez anos, o que ajudará a construir políticas públicas para a melhoria do projeto urbanístico da cidade.

Entre os benefícios para o Rio, destacados na época da candidatura a sede do congresso de 2020, está o de buscar, com a realização do evento, um modelo de cidade alinhado com os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU. Outra expectativa de legado é, no aspecto urbanístico, ressaltar a importância dos espaços públicos como plataforma de interação social.

Esses conceitos têm norteado as ações da Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU). Um exemplo é o desenvolvimento do programa Rio Conecta, que prevê intervenções urbanas para requalificar espaços públicos com grande fluxo de pessoas, em especial o entorno das estações de transporte. O objetivo é criar melhores condições para quem caminha e facilitar a conexão entre os pedestres e os diversos modais de transporte público. A meta é reduzir o número de veículos nas ruas e, consequentemente, a emissão de dióxido de carbono.

Outro passo significativo nessa direção foi a revisão do Código de Obras e Edificações do Rio de Janeiro, elaborado pelo corpo técnico da SMU, aprovado na Câmara dos Vereadores e sancionado pelo prefeito Marcelo Crivella este mês. Além de proporcionar mais liberdade para que o construtor escolha o layout e o desenho dos apartamentos, a nova legislação traz medidas sustentáveis, como a obrigatoriedade da construção de bicicletários e a redução do número de vagas de veículos nos prédios. Também permite jardins nos telhados e elementos de proteção à insolação nas varandas, o que reduz a carga térmica nas residências e, portanto, a necessidade de aparelhos de ar-condicionado.

Sobre o congresso

Maior fórum mundial de arquitetura, o Congresso Mundial de Arquitetos UIA 2020 RIO é promovido pela União Internacional dos Arquitetos (UIA) – sediada em Paris – e organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Pela primeira vez no Brasil, o evento será realizado entre 19 e 26 de julho de 2020, no Rio, com atividades em locais diversos da cidade, entre eles o Palácio Gustavo Capanema, que deverá receber exposições, palestras e workshops. A expectativa é que 25 mil arquitetos e acadêmicos de arquitetura de todo o mundo visitem o Rio durante a realização do UIA2020.

Texto: Ascom – Prefeitura do Rio de Janeiro
Foto: Fernando Thompson

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