Violência política de gênero e suas consequências à mulher

Uma situação de violência pode gerar consequências graves e até mesmo a saída da mulher da política

Publicado em 29/10/2020 - 14:39

Brasília (DF) – A violência política contra mulheres ou em razão de gênero consiste em restringir, impedir ou dificultar o exercício de seus direitos políticos. Nesta linha, é notável ver que a mulher, infelizmente ainda cumpre um papel inferior dentro dos partidos. A violência política atinge principalmente a autoestima e o psicológico das mulheres. Assunto ao qual é tratado no decorrer do texto.

Para a secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Dra. Cristiane Britto (Republicanos), a violência política é um tema ainda pouco abordada e muitas mulheres passam por ela sem ao menos identificar o problema. “Ciente que esse tipo de violência é uma das causas da sub-representação das mulheres na política, desenvolvemos no âmbito do projeto “Mais Mulheres na Política”, uma série de iniciativas para incentivar a denúncia por meio do ligue 180.

A ação é pioneira, pois pela primeira vez a central de atendimento à mulher acolherá esse tipo de denúncia. A nossa expectativa é que esse passo inicial seja um estímulo para a desejada mudança comportamental, que nos permitirá construir um país mais representativo”, ressaltou.

A psicóloga e republicana Adriana Crivella, que também é candidata a vereadora, em Nova Iguaçu (RJ), adianta que a violência contra mulher vem de todas as partes e em alguns casos, dos próprios partidos políticos, sendo a pior expressão que se pode ter em favor do machismo. “A mulher que não está resolvida, decidida, firmada, provavelmente poderá ficar vulnerável na política, pois o preconceito e a não aceitação ainda é grande. Uma experiência da mulher com a violência política, se ela já estiver com o seu psicológico abalado, pode ser o estopim para que essa mulher saia definitivamente do meio político. Pode até ser por isso que os homens se sintam até ameaçados por nós na política, pois a mulher é muito mais honesta e verdadeira. Mulheres, os grandes guerreiros são formados nas batalhas e as vezes nas grandes batalhas. Por isso, não desista do seu sonho”, disse.

Mais campanhas contra a violência política de gênero

No último dia 20, foi lançado na Câmara dos Deputados, o Observatório de Violência Política contra a Mulher, que reúne especialistas de universidades e da sociedade civil em torno do tema. O lançamento aconteceu em um evento virtual promovido conjuntamente pela Secretaria da Mulher da Câmara e pela ONG Transparência Eleitoral Brasil.

Neste ano, de uma forma geral e com regras mais rígidas, um número maior de mulheres se candidataram para cargos públicos nas eleições municipais. Do total de aproximadamente 177 mil candidaturas femininas recebidas pelo TSE, 13,5% mulheres disputam um cargo nas prefeituras, 20.97% para vice-prefeitas e 34,37% para a vereança. Em 2016, o número total de candidatos somava 492.406 candidatos, onde eram 155,587 mulheres, sendo 32,79% candidatas à vereança e para a prefeitura 12,57%.

Texto:  Gisele Rocha/ Ascom Mulheres Republicanas Nacional
Foto: Arquivo Mulheres Republicanas

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