TPM: protagonismo feminino no Dia dos Pais

As consideradas “pães” fazem parte de uma grande realidade nas casas brasileiras

Publicado em 11/08/2020 - 08:44

Brasília (DF) – O Dia dos Pais, data comemorada anualmente no segundo domingo de agosto e neste ano, celebrada no último domingo (9), trouxe diversos debates sobre o tema paternidade e responsabilidade afetiva. O fato é que a realidade nas casas brasileiras se distancia do que é apresentado em propagandas de televisão, por exemplo. Atualmente as mulheres exercem dupla função na criação dos filhos e assim, são consideradas as “pães”, nome popular que traduz a junção de pai + mãe.

Essa realidade reflete diretamente nos dados registrados. Segundo levantamento da Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC), mais da metade das crianças nascidas neste ano carregam consigo somente o nome da mãe na certidão de nascimento. No total são 80.904 recém-nascidos sem o registro paterno no documento. Isso gera nas mães uma sobrecarga ainda maior, onde na maioria das vezes elas exercem tripla jornada diariamente.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cerca de 12 milhões de mães são chefes de família no Brasil. Destas, mais de 57% vivem abaixo da linha de pobreza. No total são mais de 5,5 milhões de adultos que nunca tiveram o reconhecimento do progenitor.

A secretária do Mulheres Republicanas Maranhão, Jesus Verde, viveu essa situação de perto. Além de ter que cuidar dos cinco filhos sozinha, ela teve que lidar com a violência doméstica. Após vários episódios de abusos, ela decidiu que a separação era o melhor, até porque, segundo ela, o pai não era presente na vida das crianças.

“Eu tive cinco filhos e na época era muito difícil. Eu morava em Curitiba e não tinha ajuda de amigos ou familiares. Sofri muito com a violência doméstica e a partir daí eu decidi voltar para o Maranhão. Cheguei na minha cidade sem lenço, nem documento. A única experiência que eu tinha era cuidar dos meus filhos e a partir daí nós passamos muitas dificuldades. A primeira foi a luta para achar emprego”, disse a republicana.

Empregada no novo lugar de moradia, a republicana conta mais de sua experiência criando os filhos sozinha. “Mesmo estabelecida, não tinha como pagar uma pessoa para cuidar dos meus filhos. Na marra eu aprendi a me reestabelecer, porque eu não sabia nada e ao mesmo tempo tinha que me virar em mil, pois tinha que ser mãe, trabalhar, cuidar das coisas da casa e trabalho”, contou Jesus.

Apesar de todas as dificuldades, a representante do movimento feminino no Maranhão conta que hoje se orgulha muito da sua história e ela fala com orgulho dos filhos que criou sozinha. “Hoje sou muito feliz porque meus filhos são meus verdadeiros amigos. Eles cuidam de mim como ninguém, são companheiros e preocupados. Fico orgulhosa de saber que mesmo após as coisas ruins, consegui criar homens e mulheres preciosos”, conclui.

Texto: Gabbriela Veras | Ascom Mulheres Republicana
Foto: Getty Images

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