Prêmio Maria Felipa 2020 é marcado por emoção e espírito de resistência

Conduzido pela vereadora Ireuda Silva, o prêmio Maria Felipa foi transmitido pela internet

Publicado em 29/07/2020 - 13:02

Salvador (BA) – A pandemia do novo coronavírus tem obrigado inúmeros setores de serviços, comércios e ambientes de trabalho a se reinventar. E com o Prêmio Maria Felipa, que chega à 11ª edição, não foi diferente. Já com o costume de inovar nos anos anteriores, em 2020 mudou radicalmente o formato e foi realizado de forma virtual, transmitido no último sábado (25), pelas redes sociais e canais da vereadora Ireuda Silva (Republicanos) e pela TV Câmara Salvador. Como sempre, foi marcado por espírito de celebração e resistência, emocionando todos os participantes.

Criado há 10 anos pela então vereadora Vânia Galvão, a honraria também já esteve a cargo da ex-vereadora e ex-deputada Tia Eron (Republicanos). O objetivo é reconhecer a atuação de mulheres negras em prol da autoafirmação, da luta por espaços e contra a discriminação racial. Neste ano, foi realizado no Teatro Jorge Amado, na Pituba, sem a presença do público e seguindo todos os protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias. “Na edição passada, falei: ‘Espero que ano que vem não seja diferente’. Mas quem poderia imaginar que, em pleno 2020, estaríamos atravessando a maior crise sanitária dos últimos 100 anos? Mas, apesar dessas dificuldades que independem da nossa vontade, nos esforçamos para ressaltar o protagonismo daquelas guerreiras, que garantiram o brilho do evento mesmo sem a presença do público”, disse Ireuda, que é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice-presidente da Comissão de Reparação.

A transmissão começou com a emocionante performance musical da Lizandra Gonçalves, que interpretou a canção “Rise up”, de Andra Day, seguida pela apresentação lírica e reflexiva de Cátia Andrade.  Já a condução da cerimônia ficou a cargo da anfitriã, a vereadora Ireuda Silva, e da jornalista Débora Oliveira.

Com biografias ricas, cada uma das homenageadas discursou sobre suas respectivas trajetórias, ressaltando a importância de enfrentar os obstáculos impostos pelo machismo e pelo racismo institucional. Neste ano, 12 nomes integram a lista de premiadas: Ana Amélia (médica oncologista); Ashley Malia (jornalista); Flávia Barreto (major da PM, Ronda Maria da Penha); Carolina Santana (guarda municipal); Juliana Galvão (psicóloga); Luana Assis (jornalista); Noemia Araújo (liderança comunitária); Charlene da Silva Borges (defensora pública federal); Jeane Cordeiro de Oliveira (empresária); inspetora Amado (Guarda Municipal); Carol Barreto (estilista); Maria das Graças (marisqueira) e Ana Teles (empreendedora).

O evento também foi marcado por uma homenagem à republicana, feita por sua assessoria. “Vereadora Ireuda Silva, você representa a força e a garra das mulheres negras do Brasil. Sua responsabilidade, dedicação e luta pelos direitos das mulheres fazem de você uma heroína da história. Nós a parabenizamos pelos seus quatro incansáveis anos de mandato e temos certeza que fará muito mais pelas mulheres negras do Brasil”, diz a mensagem lida na ocasião.

Após agradecer, a vereadora ressaltou o protagonismo e a força das premiadas. “Elas preenchem a lacuna que há dentro de nós, o vazio de muitas mulheres que infelizmente, devido à nossa sociedade, não conseguem chegar a lugar nenhum. E quando você vê uma dessas mulheres subindo aqui com uma força tão grande e que arrasta com elas centenas de milhares de outras mulheres, isso nos fortalece e preenche a minha alma de alegria. Por isso não vou chorar, por mais que eu esteja emocionada. Eu não fazia ideia de que receberia o prêmio Maria Felipa pela segunda vez. Agradeço a todos os que acreditaram em mim e abriram as portas para que eu pudesse passar”, finalizou Ireuda.

A premiada Anna Telles ficou encarregada do desfecho com sua interpretação da música “Olhos coloridos”, de Sandra de Sá.

Quem foi Maria Felipa?

Maria Felipa de Oliveira foi uma marisqueira e pescadora que viveu na Ilha de Itaparica. Assim como Joana Angélica e Maria Quitéria, ela lutou pela Independência da Bahia. Em 1823, liderou um grupo composto por mais de 200 pessoas, entre as quais estavam índios tupinambás e tapuias, além de outras mulheres negras, nas batalhas contra as tropas portuguesas que atacavam a Ilha. Conta-se que o grupo foi responsável pela queima de pelo menos 40 embarcações portuguesas.

Texto: Ascom –  vereadora Ireuda Silva
Fotos: divulgação

 

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