Mulheres ocupam 71% dos cargos de pesquisa no Butantan

Janaína Naumann faz o raio-x da atuação feminina na pandemia

Publicado em 18/01/2021 - 16:00

Brasília (DF) – As mulheres têm feito história desde que a pandemia do coronavírus se instalou em todo o mundo. Desde as mães que tiveram que lidar com os filhos dentro de casa 24 horas por dia,  até as enfermeiras, médicas, pesquisadoras que estão na linha de frente do combate à doença. Todas atuam de forma necessária e essencial nesse momento que o país vive. Exemplo disso é o dado revelado pelo Instituto Butantan, onde 71% do corpo científico do centro de pesquisa é formado por mulheres.

A republicana Janaína Naumann é biomédica e revela um verdadeiro raio-x da atuação feminina durante a pandemia. “Logo quando o novo coronavírus chegou ao Brasil, as mulheres cientistas já marcavam presença. O primeiro caso no país foi confirmado em 26 de fevereiro. Menos de 48 horas depois, uma equipe coordenada e composta em maioria por mulheres publicava o sequenciamento do vírus, entre elas a minha colega Biomédica, Jaqueline Goes”, disse orgulhosa.

A diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Instituto, Ana Marisa Chudzinski, afirma que essa mudança é histórica. “Se olharmos as fotos antigas dos laboratórios do Butantan, veremos uma maioria de homens e poucas mulheres. Acredito que essa chave tenha virado com o próprio acesso às universidades porque, antigamente, para alguém fazer um curso superior era preciso se deslocar para as cidades grandes ou até mesmo para fora do país e era muito raro mulheres conseguirem fazer isso, ou inclusive serem aceitas socialmente nesses espaços”, disse.

O fato citado pela diretora do Centro do Instituto é cada vez mais comum. Essa mudança vem acontecendo pelas oportunidades que são disponibilizadas para elas. O número de mulheres com acesso ao ensino superior cresce cada vez mais e, assim, elas estão cada vez mais inseridas no mercado de trabalho. Um relatório americano denominado Education at Glace 2019, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico afirmou que as mulheres brasileiras têm 34% mais probabilidade de se formar no ensino superior do que homens, por exemplo.

Para além das pesquisadoras, Janaína ressalta a atuação das mulheres nos centros hospitalares. “No Brasil, 85% dos profissionais de enfermagem são mulheres, que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus. As mulheres também são maioria em algumas categorias economicamente mais vulneráveis à pandemia, como diaristas. As mulheres estão nos grupos mais afetados pelo isolamento e também se arriscando para salvar vidas em suas rotinas”, explicou.

Texto: Gabbriela Veras | Ascom Mulheres Republicanas Nacional
Foto e informações: Instituto Butantan

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